La Grazia, o novo drama do diretor italiano Paolo Sorrentino, tem 2 pontos obrigatórios no cinema italiano atual: é um filme sobre um presidente do país e é estrelado pelo Toni Servillo.
Começando do fim, Servillo parece ser o único ator italiano com mais de 60 anos de idade.
Só dá ele: filmes, séries, entrega de prêmios, elogios a Fernanda Torres e por lá ele vai.
Não estou reclamando per se, porque o cara é um belo de um ator que em verdade entrega o que pedem pra ele.
E aqui em La Grazia ele entrega um presidente melancólico, em seus últimos 6 meses de mandato.
Triste pelo fim mas também preocupado com seus últimos atos como mandatário mór da Itália quando terá que sancionar (ou não) a lei da eutanásia e que terá que dar (ou não) a graça (do título) o perdão a 2 assassinos presos: uma mulher que matou o marido que tinha “uma doença terminal” e um homem que não quer a graça, o perdão, mas que seus alunos entraram com o pedido por ele ser um estudioso renomado, mesmo tendo matado sua mulher.
Como um católico praticante, jurista consegrado e viúvo, o presidente Mariano vive esses últimos dias sofrendo com sua conscência e tendo suas decisões balançando entre o lado frio do jurista e o lado católico fervoroso.
Além disso, ele tenta descobrir de qualquer forma o nome do amante de sua mulher já morta, guardado a 7 chaves por um amiga que diz que o presidente pode mandar prendê-la e torturá-la mas que ela não dirá porque prometeu para a amiga moribunda.
O cinema de Sorrentino é marcado pela grandeza de imagens e pela pretensão fotográfica exarcebada, o que pra uns é a coisa mais linda do mundo e para outros, este que vos escreve, é um truque estético que se chama nas altas rodas cinematográficas mundiais como “bonitinho mas ordinário”.
Em um drama de consciência grave como esse, as paisagens deslumbrantes de Sorrentino quase não cabem.
Mas também não incomodam tanto, já que o filme, mais uma vez é menos profundo e importante quanto o diretor o considera.
NOTA: 🎬🎬🎬1/2

