060/2026 PAI MÃE IRMÃ IRMÃO

Lá no comecinho de setembro de 2025, no último dia do Festival de Veneza, eu fiquei muito feliz com o Leão de Ouro pra este Pai Mãe Irmã Irmão, o novo filme do meu preferido da vida Jim Jarmusch.

Até eu assistir o filme, lia muita gente falando muito mal do filme, que era um dos piores do Jim e muito mais.

Até que eu assisti.

Pai Mãe Irmã Irmão é um tríptico, um filme com 3 histórias que se passam em 3 países diferentes, nos EUA, na Irlanda e na França, países que inclusive são os produtores do filme.

A primeira história, Pai, se passa nos EUA, quando um irmão (Adam Driver, que volta a filmar com Jim) e uma irmã (Mayim Bialik de Big Bang Theory, musa) vão visitar o pai (o maior de todos Tom Waits), que mora no meio do nada, vive numa cabana velha, tem um carro velho, móveis velhos, tudo velho. E ele é daqueles pais que pedem dinheiro para os filhos pra arrumar o teto da casa, arrumar o muro que caiu com a chuva, arrumar a fossa e quando o filho pede pra ver o conserto ele desconversa, claro, porque não teve conserto nenhum.

A história começa com os irmãos no carro indo pra casa do pai e a gente já sente que eles não são aqueles irmãos super próximos, que convivem no dia a dia, porque as perguntas são de quem não se vê sempre. Em contrapartida a gente vê o pai desarrumando sua casa, colocando coisas sobre os móveis bacanas, cobrindo o sofá, espalhando caixas pela sala, coisa bem estranha.

E o pai se desarrumando também para a chegada dos filhos, com quem passa uma tarde rápida, com um papo furado incrível, zero intimidade, movimentos bem pensados do pai que tenta se passar por coitadinho até que a filha vê que ele está usando um Rolex e ele dá uma risadinha dizendo que obviamente é falso.

Logo os filhos vão embora, deixam uma caixa de “comidas caras” para o pai, um dinheiro que o filho dá pra ele e ciao.

O pai de saco cheio, assim que eles somem do jardim, re-arruma a sala, tira a roupa horrorosa, se veste super bem e vaza pro bar, chic, com dinheiro no bolso e animado depois de ter que aguentar a dupla.

Essa reviravolta do final que Jarmusch já conta no início é a melhor possível porque ninguém merece 2 filhos almofadinhas como os que lá estiveram, gente chata demais.

E aqui termina a parte boa de Pai Mãe Irmã Irmão.

A próxima história se passa na Irlanda onde 2 irmãs (Cate Blanchett e Vicky Krieps) vão visitar a mãe (Charlote Rampling) pra um chá da tarde e muito truque, como na primeira história.

O que tinha de interessante no pai do Tom Waits ficou por lá.

Aqui nada é interessante, nem as filhas, uma delas também de rolex, nem a mãe, nem o café da tarde e nenhuma das 3 divas. Que coisa chata.

A próxima história se passa em Paris onde, de novo, e o que linca as 3 histórias, 2 irmãos (Indya Moore e Luka Sabbat) se reencontram depois de um tempo para falar sobre os pais que morreram, sobre seu apartamento que foi vendido e sobre as caixas e mais caixas com seus pertences. Não é tão chata quanto a história da Irlanda mas é besta, nada interessante de novo.

Se não fosse o pai desgraçado vivido pelo Tom Waits, o filme seria pior do que já é.

Mas o que se sobressai é o figurino, com umas “pegadinhas”interessantes, criados pelo Anthony Vaccarello da Yves Saint Laurent, que é também produtora do filme.

Claro que um filme ruim do Jim Jarmusch é melhor que 80% dos filmes lançados no ano, mas o cara filma tão pouco que eu fiquei triste de assistir um filme que poderia ser maravilhoso. Inclusive, não entendi ter vendico o Leão de Ouro, o prêmio máximo do Festival de Veneza.

Não poderia deixar de dizer que o filme homenageia muito o Coffee and Cigarettes, projeto antigo e maravilhoso do próprio Jim Jarmusch, onde seus amigos se encontram para tomar café, fumar e papear, como fazem aqui, onde as 3 famílias no final das contas se juntam em volta de uma mesa e rola sempre um cafezinho e uma câmera no teto mostrando aquela situação.

NOTA: 🎬🎬🎬1/2

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