Quer saber por que o filme Dois Procuradores é importante?
Pelo tom político do filme com certeza mas principalmente pela direção generosa e impecável do ucraniano Sergei Loznitsa.
A forma quase clássica que ele escolheu para contar uma história de injustiça e corrupção na União Soviética de Stalin é de uma elegância única.
Dois Procuradores é tão sutilmente violento que por vários momentos eu achei que estava assistindo outro filme, que havia algum problema com o arquivo, sei lá.
O filme acompanha um jovem e recém nomeado procurador (vivido pelo ótimo Alexander Kuznetsov) que por um desses acasos do destino acaba com um problemão em suas mãos: a carta de um prisioneiro falsamente acusado se explicando e pedindo para que algum oficial ouça seu clamor.
Como jovem esperançoso que é, Kuznetsov vai passando por todas as instâncias possíveis, que lhe são permitidas, para tirar o homem da prisão depois de anos sofrendo no que muitos diziam ser as piores prisões da história sob a mão de ferro stalinista.
O que o jovem não sabia é que ele acabou entrando em uma rede de intrigas, de poder e principalmente de egos (ah, o ego) se degladiando que a gente não sabe como ele vai sair de lá.
A fotografia de Dois Procuradores deve ser ensinada em escolas de cinema porque as escolhas de luz e sombras são tão perfeitas que eu imagino um filem completamente diferente sem essas sutilezas.
O diretor Loznitsa chegou com esse filme, depois de vários muitos interessantes, a patamar alto no panteão dos que são convidados a apresentarem seus filmes em Cannes, o que aconteceu em 2025 com essa pérola. E mesmo saindo de lá não premiado, Dois Procuradores precisa ser visto para que a gente lave a nossa alma do bando de #alertaporcaria que tem aparecido cada vez mais nas nossas frentes.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

