Devoradores de Estrelas é O sucesso da temporada.
Hollywood vendeu tanto esse filme que eu fiquei com o pé atrás e quando finalmente assisti me impressionei com um ponto importante.
Esta ficção científica tem a clássica história de que o Planeta Terra vai explodir/ser invadido por ets/ser colidido por alguma coisa. Só que antigamente quem salvaria a Terra seria um zé mané transformado em astronauta que daria sua vida já que não tinha vida por aqui. Geralmente o cara era um bandido ou escroque ou truqueiro com algum charme que aos poucos fosse se transformando em herói.
Só que aqui tem uma pequena mudança que faz toda a diferença no filme.
O (anti) herói do filme é um cara bacana, Ryland Grace (o bobo do Ryan Gosling fazendo o papel que mais lhe cabe, o bonitinho bobo e charmoso), um professor de física para adolescentes, sem família sem laços, que entende bem de espaço e física e ajuda os maiores cientistas dos EUA a resolverem um problema: uma bactéria/forma de vida do mal do espaço sideral vai chegar na Terra e acabar com a humanidade.
Quando ele recusa ir para o espaço resolver o problema, ele é forçado pela cientista fodona (Sandra Hüller) a ir de qualquer maneira na nave espacial sem bilhete de volta.
A virada de chave na típica jornada do herói, não mais a do anti que vira herói, faz com que o filme seja mais palátavel, de mais fácil digestão. E o roteiro pode focar numa comédia fofa, no personagem que não queria estar na nave que vai salvar nossas vidas mas que com seus óculos fofos de professor vai ser o grande cara da temporada.
E se o filme não pudesse ser mais legal, o astronauta Grace (Graça, em português, uma graça já que nada é por acaso) encontra uma nave alienígena onde deveria chegar e surpresa, como ele mesmo sendo único sobrevivente da nave, ele conhece o alien único sobrevivente da nave, que não por acaso é outro fofo e eles viram melhores amigos, claro.
Ao assumir que o herói do filme não tem lado “ruim”, que ele é sim o herói e ninguém vai ter dúvida disso, Devoradores de Estrelas assume o risco de ser um filme mais infanto juvenil do que o filme sério de fim de mundo de ficção científica que poderia ter sido.
E uma frase importante dita pelo astronauta Grace tira qualquer dúvida que poderia ainda existir.
Ao encontrar o alien e tentar se comunicar, ele diz “vou tentar me comunicar pela matemática, já que como dizem é a linguagem universal”.
Ao falhar miseravelmente, Grace dá um sorrisinho meio que dizendo “é meus caros, esse não é o filme de matemática sério de fim de mundo no espaço, relaxe”.
E o relacionamento de Grace com o et Rocky, como eu disse, é fofo, engraçado, aos poucos eles vão se entendendo, vão conseguindo se comunicar e vão juntos resolvendo os problemas um do outro.
A grande graça da história do astronauta Grace acaba sendo também o problema do filme pra mim. Eu esperava mais drama, mais problemas, mas tudo vai acontecendo muito suavemente, como é necessário para um filme ser sucesso nos dias de hoje, com as repetições dos probleminhas, as explicações para tudo que Grace e Rocky fazem, tudo bem deglutido para os “sem atenção” dos anos 2026.
Todas as “novas regras” do sucesso sendo seguidas à risca, sucesso garantido.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

