Fiquei bem animado quando soube dessa nova adaptação de Chapeuzinho Vermelho em forma de um filme de horror.
Tive certeza que não seria tão maravilhosa quanto A Companhhia dos Lobos de Neil Jordan de 1984.
MAs vamos lá arriscar, principalmente porque este Red Riding é de uma turma de ingleses que fazem filme de horror bem baixo orçamento mas com qualidade razoável até.
Pra ser sincero eu gostei do filme mais do que eu achei que gostaria.
A mãe da chapeuzinho vermelho já começa o filme morrendo de overdose de heroína.
E como ela não tem metade do braço esquerdo, que foi comida pelo lobo mau, ela se pica no pescoço.
Sei.
Pelo menos essa é a história que ela sempre contou pra filha, uma jovem bem fodona, que agora precisa telefonar para a avó, a vovozinha, que ela nunca conheceu e ir morar com ela em sua mansão na Escócia, longe do buraco que ela vivia com a mãe junkie em Londres.
Ao chegar lá ela primeiro leva um choque de realidade ao saber que vai morar no meio do mato e logo em seguida fica muito bem informada, pela vovozinha e pelas pessoas com quem pra ela trabalham, sobre o tal do lobo mau, que vive na floresta e se alimenta de pessoas que dão mole. Tadinhas.
Mas Red, de Redele, logo vai pro pub do vilarejo, se enturma com os carinhas e com uma amiga de infância da mãe que conta a história da menina rica que de repente se perdeu nas drogas por causa de um encontro com quem? Com o lobo mau.
O roteiro do filme é esperto para nos dar migalhas de pão para nos levar por um caminho tortuoso até a casa do monstro (ops, não é essa história) mas não é esperto o suficiente para colocar na história detalhes da história original que poderiam ser divertidos em meio do terror criado.
Por exemplo, spoiler alert, Red nunca usa uma capa com chapeuzinho vermelho no filme. Acho essa decisão meio besta. Arrojada, mas besta.
Imagino o diretor falando “não vou colocar chapeuzinho vermelho na minha heroína” (ops, droga certa) e os produtores falando “mas é um charme, um chamariz, uma easter egg”, e por aí deve ter ido a discussão.
Simo Red Riding é um filme de baixo orçamento dessa turma. Baixíssimo. Dee ter custado uns 350 reais no câmbio baixo. Mas todo esforço de produçnao é bem vindo e bem realizado.
A gente enxerga cada centavo gasto no filme e enxerga também cada centavo que deveria ter sido gasto no filme para que a filha de uma junkie, neta de uma vovozinha sado-masô, com o lobo mau mais nojento de todos, a chapeuzinho vermelho da nova geração fosse mais relevante.
Daqui pra frente é spoiler mesmo, nnao leia se não quiser estragar surpresas.
Por mais nojento que seja o lobo mau, mais cruel e amoral, a produção nnao teve a manha de colocá-lo usando o corpo/a pele da vovozinha morta, como ele faz na história original. Ou mesmo não fez a chapeuzinho abrindo a barriga do lobo pra retirar de dentro a vovozinha que ele acabou de comer.
Ou se for partir pro comer, deveria ter feito o lobo comer a avó sexualmente falando, já que o capataz dá uma bela comida na velhinha na sala de jogos da mansão da família.
Por que perder tanta oportunidade, é o que eu questiono.
NOTA: 🎬🎬1/2


Um pensamento sobre “106/2026 RED RIDING”