Depois de passarmos bem recentemente pela fase de roteiros de filmes serem escritos para que a história que estamos assistindo seja explicada repetidamente, mesmo que nós estejamos a assistindo em frente a nossos olhos, chegamos a uma nova fase do cinema hollywoodiano.
Em Um Piscar de Olhos é o vídeo motivacional neo hippie esperançoso do Instagram que virou filme da Disney.
Demorou para que eu entendesse o real motivo deste filme ter sido produzido, o que me deixou chocado quando percebi, e lançado, o que me chocou mais ainda.
O filme é de uma fofura sem limites, te deixa flutuando com 3 historinhas lindinhas e tristes ao mesmo tempo: uma no tempo das cavernas, outra nos dias de hoje e a terceira em um futuro bizarramente próximo.
O que me chamou atenção na sinopse do filme foi a ficção científica atrelada a tudo, o que eu acreditei que seria o ponto de encontro dessas 3 eras.
Lá atrás, vemos a história de uma família de neandertais que se encontra com os primeiros homo sapiens.
OS homens das cavernas, os neandertais, sofrem muito para comer, para caçar, para se continuar vivos.
Em paralelo vemos nos dias de hoje uma arqueóloga que está estudando um fóssil muito bem preservado de um neandertal em seu trabalho dos sonhos, com a possível publicaçnao de um artigo científico que deve mudar sua vida.
E lá na frente vemos uma mulher sozinha em uma nave espacial fazendo uma viagem de 400 anos para chegar a um novo planeta e habitá-lo com as plantas vivas na nave, que produzem o oxigênio que ela respira e também com os embriões que ela leva para começarem uma nova civilização.
Aos poucos, bem devagarzinho, mas bem devagar mesmo, a gente vai assistindo o drama entrar em cada história, as dificuldades de sobrevivência em cada era, que ao mesmo tempo que são extremamente opostas, acabam tendo o mesmo significado, principalmente quando a possibilidade da morte está envolvida.
Como o filme tem um fiozinho bem tênue de história, a enrolação toda me irritou bastante porque quando a “explicação” começou, quando o roteiro resolveu explicar a relação das 3 linhas de tempo, como elas se relacionam, como a ciência em seu estado mais avançado depende ou aprende com o estudo daquela família das cavernas, o filme fica lindo.
Mas daí acaba.
Como em undertone, o filme de ontem, Em Um Piscar de Olhos acaba antes.
E isso não é legal.
Quer dizer, ele funciona como o tal do vídeo motivacional lindo e fofo do Instagram mas como cinema, a correria do final parece última semana de novela da Globo onde todo mundo se casa, a vilã foge, tudo se resolve depois de 8 meses de enrolação.
Uma pena porque a sequência do futuro com uma Kate McKinnon como a “dona” da espaçonave merecia um filme inteiro.
NOTA: 🎬🎬🎬

