125/2026 O MAGO DO KREMLIN

O Olivier Assayas, roteirista e diretor desta sátira política O Mago do Kremlin, é um dos meus diretores franceses vivos preferidos.

É um cara que vai a extremos em sua filmografia, com pérolas fantasmagóricas como Personal Shopper e filmes extremamente políticos de excel como Wasp Network e Carlos, O Chacal.

Uma historinha rápida.

Quando eu estava na faculdade, na minha prmieira graduação, meu professor de filosofia passou trabalhos em grupo sobre livros da coleção O QUE É…, coleção muito amada nos anos 1980/90 que erra meio que uma introdução muito boa a temas bem relevantes da história, da cultura, das artes e por aí vai.

Meu grupo deveria fazer um trabalho sobre a Revolução Russa baseado no livrinho O Que É A Revolução Russa e eu me animei tanto que pedi pra fazer sozinho. Todo mundo topou porque trabalho em faculdade é aquela coisa chata.

Mas eu dissequei o livro e fiz a melhor relação possível de datas e horas e minutos dos acontecimentos que levaram primeiro ao março de 1917 e depois ao histórico outubro de 1917.

Quando apresentei, meu professor ficou chocado porque o trabalho terminava exatamente onde ele deveria ter começado. Não interessavam os dias que o Lênin fez reunião, nem onde nem que horas. Interessava o que ele havia dito nas tais reuniões e o que aconteceu depois.

Não interessava que ele pegou o trem a tal hora para chegar a tal lugar, mas interessava que ele não tinha morrido apesar do perigo.

Por sorte o professor entendeu meu jeitinho e deu mais uma aula para apresentarmos o trabalho de novo que foi finalmente realizado por todo o grupo menos por mim, que recebi uma folga forçada.

Os filmes políticos do Assayas me dão a sensação de que se fossem apresentados na minha aula de filosofia lá em 1986, o professor diria pro Olivier refazer e entregar na próxima semana com roteiros escritos não no excel, não em planilhas frias e calculistas.

E essa crítica que eu sempre fiz a esses filmes do diretor acaba agora sendo irrelevantes porque ele mostra com esse novo filme que ele é teimoso e criou essa maneira de contar essas histórias.

Mas eu fiz questão de contar a minha também. Chupa Assayas.

O Mago do Kremlin, para quem imaginou que seria uma reencarnação do Rasputin da minha Revolução Russa, é na verdade um tonto, literalmente, que primeiro desistiu de ser “artista”, foi ser do marketing criativo de um canal de tv, para ser conselheiro de um oligarca russo para finalmente fazer parte do início da vida política do Putin quando ele deixou de ser um espião da KGB e virou Presidente da Rússia.

E como vemos no filme, desde então ele era chamado por seu séquito de puxa sacos íntimos de czar, o rei russo pré revolução socialista, de novo, de 1917.

Acontece que o Assayas achou que contar a história do surgimento do Putin através desse outro personagem seeria interessante porque ele poderia criticar o baixinho o quanto quisesse a partir das falas de seus adversários mas o que vemos no filme é que o personagem interessante da história é mesmo o cara que virou mesmo um czar russo, porque não sai da cadeira de presidente por nada.

Paul Dano está bem como o marketeiro “mago”, que de mago não tem nada, e Jude Law some sob a maquiagem de Putin e eu nnao tenho certeza se não gostei ou se odiei sua criação do personagem. E o que meio que estraga o filme é a importância que o roteiro dá à personagem da Alicia Vikander, o contraponto sexual/amoroso/artístico dessa história fria de engravatados mas que na minha opinião não serviu pra muito.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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