127/2026 HAMLET

Hamlet, a peça do Shakespeare, pra mim é a “coisa” mais linda que já foi escrita na histórias das coisas escritas.

Leio, releio, uso como referência, por acaso ontem dando uma aula falei de Hamlet (e também de Hamnet), tenho uma edição de Hamlet que pertenceu a Tarsila do Amaral assinada pela própria. Esse é o nível do amor.

Por essas e outras, sempre que aparece uma versão em filme de Hamlet eu vou com sede ao pote. E geralmente me decepciono.

Tenho 2 versões preferidas de Hamlet: a de 1948 estrelada e dirigida pelo Laurence Olivier, que dizem ser o melhor ator da história, da via láctea, e gosto muito também do filme Jutland – Reinado do Ódio de 1994, onde um brilhante jovem chamado Christian Bale faz o Hamlet em sua terra natal, no que seria a versão “original” da história que teria inspirado Shakespeare.

Bem amigos, essa versão que “prometia”, estrelada pelo ótimo Riz Ahmed falhou miseravelmente.

Na minha modesta opinião, não dá pra trazer a história do príncipe traído para os dias de hoje, em Londres no meio do século XXI e usar o linguajar, o vernáculo inglês do século XVI.

Exemplo claro disso é a versão de Shakespeare estrelada por um ótimo jovem ator americano chamado Ethan Hawke em um filme de 2000 onde Hamlet era um cineasta rico e moderninho mas falava como se estivesse em Stratford Upon Avon e era vizinho da família do bardo.

A única coisa boa que eu achei deste novo filme é que o diretor assumiu em seu roteiro que a família de Hamlet é sim rica mesmo, então tudo é opulento, majestoso, isso eu sempre senti falta nessas versões de Hamlet, mesmo que na versão de 2000 a família tem dinheiro, claro, mas aqui é tudo mais majestoso, acho que como deveria seer.

Claro que Riz Ahmed está ótimo, não é por acaso que ele seja um dos grandes atores de sua geração, mas é muito responsabilidade (ou falta dela) jogar todo peso de um filme nas costas de um único ator.

Pra terminar, eu lembro de uma montagem teatral de Hamlet dos anos 1990 dirigida pelo Gerald Thomas com a Bete Coelho fazendo Hamlet. Era meio que uma experimentação, um ensaio ou algo assim, onde Gerald da coxia ia lendo o texto de Shakespeare no microfone ao mesmo tempo que dava instruções para o elenco no palco. Lembro dele dizer, na hora do “ser ou não ser” que esse era o momento mais icônico da dramaturgia mundial onde todo diretor quer “se mostrar” e entregar uma nova versão da cena. O que ele entregou foi muito bom, fazendo Bete Coelhe repetir a frase em múltiplas variações que ele ia jogando pra ela ao vivo, genial.

No filme, o diretor coloca Hamlet dirigindo doido um carro indo para o “submundo” de Londres, saindo de seu “castelo” de riquezas.

Interessante, mas sou mais o Gerald Thomas.

NOTA: 🎬🎬🎬

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