Se você é fã de ficção científica ou de cultura pop, sabe que certas frases e rostos transcendem suas obras originais.
Bean Me Up, Sulu é um documentário que mergulha nessa intersecção fascinante entre o legado de Jornada nas Estrelas e a jornada pessoal de George Takei, o eterno Sr. Sulu. O título, um trocadilho infame com a famosa (e nunca dita) frase “Beam me up, Scotty”, já entrega o tom da obra: uma mistura de nostalgia, humor e a onipresença da marca no cotidiano.
O filme faz um excelente trabalho ao humanizar Takei, mostrando que por trás do leme da USS Enterprise existe um homem cuja trajetória foi marcada por desafios profundos, desde os campos de internamento nipo-americanos na Segunda Guerra até se tornar um ícone da luta LGBT+. O documentário utiliza o pretexto de uma linha de café inspirada no ator para explorar como a imagem de um artista pode ser ressignificada e comercializada décadas depois, mantendo-se relevante para novas gerações.
Este documentário é uma aula de transmídia e branding. Ele mostra como um personagem de uma série dos anos 60 consegue transitar entre o cinema, a militância política e o mercado de consumo, criando um ecossistema de marca pessoal que poucos atores conseguem sustentar. É incrível observar como George Takei usa o humor e a autodepreciação para manter sua conexão com o público viva, provando que o carisma é o combustível mais potente para a longevidade artística.
Embora o filme possa parecer, em alguns momentos, uma peça promocional, ele ganha peso ao discutir a representatividade asiática na mídia.
Bean Me Up, Sulu nos lembra que, antes de ser um meme ou um rótulo de café, George Takei foi um pioneiro em ocupar um espaço de comando na televisão quando o mundo ainda era muito mais tacanho. É um documentário leve, mas que me fez refletir sobre como seguramos nossos sonhos — espaciais ou terrenos — enquanto tomamos uma boa xícara de café.
NOTA: 🎬🎬🎬1/2

