138/2026 JIMPA

Eu queria tanto que Hollywood (ainda) fizesse filmes como este.

E olha que digo isto 1 dia depois de dizer que Steven Soderbergh é o rei de filmes baratos de Hollywood.

Mas é só ele por lá, o lobo solitário, que tantos falam bem mas ninguém quer imitar, porque o povo quer 100 milhões de dólares pra fazer um filme. Se a família Bozo quer esse dinheiro no Brasil, imagine só os lixos hollywoodianos que ainda pagam cachês de 2 dígitos de milhões de dólares para suas estrelas, por exemplo.

Jimpa é um filme fofo. E potente. Com flashbacks silenciosos de cortar e enchê-lo de alegria ao mesmo tempo.

Jimpa (John Lithgow) é o avô gay, artista plástico, malucão de Frances, uma pessoa trans adolescente que resolveu morar com o avô em Amsterdam e sair um pouco de seu dia a dia na Austrália com a família e amigos.

A mãe de Frances é a diretora de cinema Hannah (Olivia Colman), vai para Amsterdam com a família passar uns dias com o pai sem saber que Frances pretende ficar por lá.

Preocupação? Sim. Frances tem só 15 anos de idade, e como Hannah diz, ainda está na infância dessa nova fase da vida.

Essas semanas que a família está junta e que notícias vão sendo descobertas, esses dias decisivos, poderia dizer, são contados da melhor forma possível a partir de um roteiro muito bem escrito e muito esperto, já que pequenas surpresas vão engrandecendo o pequeno drama a que se propõe Jimpa.

Ah, detalhe: o filme que Hannah está fazendo é sobre o pai de uma família que sai do armário, se muda para o outro lado do mundo, longe de sua então mulher e 2 filhas. E o detalhe é que Hannah não contou para o pai que está fazendo um filme sobre sua história.

O mais legal de tudo isso, de ter um filme sobre o filme que a gente está assistindo na ficção é que a diretora de Jimpa, Sophie Hyde (do ótimo Boa Sorte, Leo Grande) escreveu esse roteiro baseado em sua própria vida e em sua relação com o pai gay.

Então é um filme dentro de um filme sobre uma história real e o detalhe cereja do bolo: Frances é vivido/a por Aud Mason-Hyde, uma pessoa trans cuja mãe é a diretora Sophie Hyde, fazendo com que a personagem do filme de ficção é na verdade é baseado em uma pessoa real vivido pela pessoa real.

É quase um paradoxo temporal de filme de viagem no tempo em realidades paralelas.

Como já disse, o filme é lindo, o que faz de Jimpa uma história mais interessante ainda, porque se o filme fosse só interessante pelo paradoxo seria uma coisa.

Mas ter Lithgow e Olivia Colman nos papeis principais só aumentou as possibilidades de uma experiência incrível garantida.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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