Me Ame Com Ternura é um drama com uma história que faz minha ansiedade explodir, o que nnao é nada bom.
Eu me sinto fisicamente destruído com essas histórias.
Aqui o desespero se deu pela filhadaputagem do ex-marido de Clémence, que depois de tempos de separaçnao, de uma convivência ótima, muito por causa do filho, que vive com a guarda compartilhada pelos pais.
Em um café pra bater papo sobre a vida, Clémence decide contar para o ex que ela está tendo relacionamentos com outras mulheres. Ele começa a beber, tenta dar uns beijos nela e logo depois ela descobre que o cara é o escroto que ela não conheceu antes.
Ele não só “envenenou” o filho, que não quer mais falar com a mãe, como a processou por incesto e pedofilia.
Choque. Nesse momento minha alma deu uma saidinha do corpo. Juro que não esperava e achei absolutamente ousado da diretora Anna Cazenave Cambet.
A partir daí a gente passa quase 2 horas sofrendo com Clémence, que aliás é vivida pela mais que ótima Vicky Krieps, em situações por vezes degradantes e por outras vezes tristíssimas.
Não é surpresa que o longa tenha feito sua estreia oficial na prestigiada mostra Um Certo Olhar (Un Certain Regard) do Festival de Cannes. A obra de Cambet se insere em uma safra vital de filmes contemporâneos que usam o espaço íntimo para discutir narrativas profundamente políticas e dolorosamente relevantes para os nossos dias.
Me Ame Com Ternura escancara como a masculinidade tóxica acaba com tudo ao seu redor no exato momento em que o ego masculino é minimamente contrariado. O ex-marido não age apenas por despeito; ele instrumentaliza o filho e aciona as engrenagens burocráticas e conservadoras do sistema legal como armas para aniquilar a vida da ex-mulher. É o puro suco do patriarcado punitivo, castigando uma mulher simplesmente por buscar a própria liberdade, felicidade e identidade.
Filmes com esse nível de denúncia são exaustivos e causam um desconfortos em quem assiste, mas desempenham um papel fundamental. Eles expõem as violências invisíveis e legais que muitas mulheres sofrem diariamente. Para os leitores do Já Viu? que buscam obras de impacto contundente, atuações viscerais (Krieps está espetacular) e um debate urgente, o filme entrega tudo isso sem concessões. É um soco no estômago necessário.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

