Uma coisa que eu adoro no cinema é quando o filme é sobre algum personagem secundário, que vira principal, de algum momento importante na história.
Neste caso, na história da música já que o lindíssimo Primavera se passa nos dia que o austríaco Vivaldi escreveu seu épico As Quatro Estações na Itália.
À época, Vivaldi era um músico relegado a algum plano pior que o segundo na Europa, tanto que foi contratado por uma escola de música de Vezes, na Itália, ganhando uma merreca, mesmo sendo conhecida sua genialidade musical.
Mas seus detratores eram maiores que seus fãs e o compositor foi trabalhar nessa escola onde as alunas eram meninas órfãs.
Essas meninas eram abandonadas por suas mães que viviam perto do porto e engravidavam de marinheiros que não ficavam por perto depois do encontro fatídico.
Depois dos partos, as crianças eram entregues no orfanato que era gerido por freiras e junto com as crianças, metade de um cartão postal.
A outra metade era usada para que as mães conseguissem recuperar suas filhas depois de anos e provar quem eram. Forma genial, inclusive.
E sempre que aparecia uma mãe no convento, as meninas, as jovens, se animavam achando que qualquer uma delas poderia ser encontrada pela família.
Uma dessas meninas, Cecília, é uma violinista prodígio que se torna imediatamente a preferida de Vivaldi.
Primavera é a estreia no cinema do encenador de óperas italiano Damiano Michieletto e eu acho que ele deixou a desejar no quesito performance, grandiosidade, espetáculo.
Claro que Primavera tem uma história mais contida, quase chegando a ser intimista, mas que poderia (deveria?) ter seus momentos de explosão de amor, de genialidade em momentos chaves do filme.
Sem esses momentos diferentes, surpreendentes, digamos assim, Primavera é um belo de um drama, com um roteiro bem escrito, elenco quase bem dirigido mas é só mais um desses filmes sobre autores de música erudita.
A ideia ótima de contar essa história com foco em Cecília é bem boa mas faltou dar uns passos em direção a um próximo nível de cinema.
De tanto que falam do diretor Michieletto na ópera, espero que essa sua incursão pelo cinema com Primavera seja só o primeiro passo de algo maior e mais surpreendente.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

