206/2026 INSECTASY

Tá. Doente.

Insectacy é um filme bem doido. Bem doido.

E ouso dizer, um filme doente. E eu adoro filme doente.

Insectacy é sobre Sadie, uma jovem que tem a vida mais banal e sem graça possível.

E ela não faz questão de esconder que vive num tédio eterno, seja no trabalho de recepcionista, entre amigas e seus probleminhas pífios ou com o cara com quem ela começa a se relacionar.

Mas claro que Sadie tem uma paixão, ou talvez possamos até chamar de amor: ela se satisfaz sexualmente com insetos.

A gente logo descobre isso no filme quando Sadie, nua em sua cama violeta, em seu quarto violeta, que mais parece um cenário de um soft porn dos anos setenta, quando ela se masturba e coloca um inseto, um tipo de grilo andando sobre seu corpo.

E quando chega ao êxtase ela nada sutilmente esmaga o pobre bichinho enquanto geme alto.

Quando a gente entende essa justaposição bizarra/doente da vida de Sadie, a gente entra no mundo de Insectacy, muito bem criado e burilado por seu criador Angus Silver, um diretor e roteirista que não tem pudor em jogar sua personagem principal em uma história nada convencional, cheia de paradoxos e contradições. Não só a história como a própria Sadie.

Insectacy teve sua estreia mundial ontem, sexta feira, quando vi o filme e espero que sua trajetória seja a melhor de todas, o que desejei para o filme punk chileno Matapanki, ambas obras que criam universos únicos para que suas histórias existam.

Nada melhor que isso no cinema.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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