221/2026 CORRIDA DOS BICHOS

A versão anódina, sem graça, nem punk nem funk da Anitta de Bichos dos Titãs nos créditos finais de Corrida dos Bichos é a ilustração perfeita do filme: um filme bonitinho mas ordinário de uma história punk

Quanto termina o filme Corrida dos Bichos da Prime Video, quer dizer, do Fernando Meirelles e turma na Prime Video, ao subirem os créditos entra ema versão da música Bichos dos Titãs com a Anitta cantando.

Anitta que está no filme como a narradora das corridas do bichos.

Mas a questão é a versão da música, que é um pequeno hino punk brasileiro, música que quando lançada nos anos 1980, não tocou em rádio, não furou a bolha careta e a gente só ouvia em shows da banda. Inclusive eu lembro de ouvir uma versão foda no show que os Titãs abriram pra Siouxsie And The Banshees no Anhembi.

Tiraram o punk dos Bichos dos Titãs, tiraram o funk da Anitta e fizeram a versão mais bunda mole, sem graça, sem personalidade possível de uma música que manda os bichos escrotos irem se fuder.

Nessa versão parece que a Anitta vai fazer carinho nas baratas e nas traças.

Não.

Acontece que a Corrida dos Bichos é meio assim.

Uma história distópica que se passa no Rio de Janeiro depois do cataclisma, ou sei lá como eles chamam no filme, onde a diversão de milionários é ter uns pobres, que vivem nos esgotos, no submundo, vestidos de bichos do Jogo do Bicho, numa corrida por suas vidas. Ou pelas vidas de seus “seguros”, das pessoas que eles levam junto para em princípio perderem s vidas em seus lugares.

Fim.

Quando apresentaram a ideia desse filme pros donos do dinheiro, os caras devem ter falado “escuta, isso é igualzinho Jogos Vorazes e eu gosto; copia mas faz diferente”.

Tem vários pontos diferentes, os melhor, disfarçados em Corrida dos Bichos mas um deles importante, que em princípio eu tinha achado que era a grande sacada do filme e que se mostrou ineficaz, foi que lá a diferença de classes era óbvia, os ricos donos do jogo ostentavam tanto que de onde eles assistiam o jogo era um lugar que parecia saído de contos de fadas. Desgraçados, exagerados, mas bem fantasiosos.

Aqui os donos dos bichos que correm vão até um lugar que parece ser horroroso, porque a gente não enxerga tanto (olha a falha aí), um lugar que parece ser underground, parece que eles se rebaixam e vão para o submundo. Mas não.

E tem a história da corrida, que é sempre a mesma. E eu sei que em um filme de ação o que importa a ação e as cenas de corrida, de briga, de disputa, são bem filmadas, cheias de drones, de câmeras espertinhas, em uma edição bem esquemática (do bem) para nos deixar roendo as unhas.

Mentira, exagerei, ninguém rói unha nenhuma aqui.

Até porque as corridas são meio que iguais, um tem mais parkour, outras tem mais porradaria, mas a gente sempre sabe onde vai dar. E assim o roteiro vai deixando personagens pra trás e não tem nada pior do que sumir com personagem, esquecer personagem no caminho, tipo o filho do Leonardo e o Seu Jorge, tadinhos.

Dito isso volto onde comecei: um filme que se passa em um de fim de mundo submundo, no underground, punk, deveria ser punk, não deveria pasteurizar uma história que visualmente é suja mas que filosoficamente e bunda mole.

Transformaram os bichos escrotos dos Titãs num pop sem graça que traduz bem o que é essa Corrida dos Bichos.

NOTA: 🎬🎬🎬

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