267/2026 ROMA ELASTICA

Vamos começar do começo: gostei muito desta maluquice italiana que é Roma Elastica, do diretor Bertrand Mandico, que assisti via Fantastic Fest.

Mas antes de falar do filme em si, queria levantar uma questão que me aflige no cinema italiano: será que todo filme feito nos estúdios da Cinecittá obrigatoriamente tem que usar as estátuas de pedaços de partes da anatomia humana que deve ter aos milhões em seus arquivos?

Pense aí, despretensiosamente, quantas vezes você já viu essas esculturas de rostos e mãos e pés e torsos gigantes nos últimos anos? Pelo menos em todos os filmes do Paolo Sorrentino, aquele chato de galocha que não se cansa de copiar o Fellini, o deus dos deuses do cinema.

Isto posto, vamos ao que viemo: Roma Elastica.

O filme é bem maluco, bem malucão mesmo.

É a história de Eddie, uma atriz francesa que fez muito sucesso em Hollywood e que está entrando numa decadência. Mas uma grande atriz, vivida por uma grande atriz francesa que fez sucesso em Hollywood, venceu Oscar, a maravilhosa Mario Cotillard.

Mesmo nessa iminente decadência a gente vê o poder de Eddie, que começa o filme fazendo uma cena bem dramática, ensanguentada sobre um homem horroroso num canário desértico. Ela sofre na frente das câmeras também porque momentos antes recebeu uma ligação de seu médico dizendo que seu câncer está metastático, se espalhou pelo corpo.

Ela pede para que sua maquiadora, amiga e confidente Friday (vivida pela também maravilhosa e aqui impressionante Noémie Merlant), que ouviu a conversa e sabe de tudo de sua vida, não conte esse detalhe para ninguém porque Eddie vai fazer um filme em Roma e esse seria o pior tipo de publicidade para a obra e para sua vida.

Lá vai a dupla esperando tratamento de luxo mas encontra uma situação de produção bem independente malucona, acho que nada do que ela tem se acostumado a viver recentemente mas mesmo assim Eddie se joga de cabeça no filme que é sobre uma atriz francesa que fez muito sucesso em Hollywood e que agora está no ocaso de sua carreira.

Só que no futuro.

Entende?

Bertrand Mandico é malucão, é uma pessoa que apesar de usar todas as esculturas possíveis e imagináveis e todos os cenários disponíveis nos estúdios de Cinecittá, consegue chegar a um resultado, a um filme que é inesperado mas que não explode nossos cérebros da pior maneira possível.

Roma Elastica me fez lembrar os filmes de diretores doidões tipo o argentino francês Gaspar Noé, que usa todos os artifícios possíveis de muito sexo, muitas drogas e muito rocknroll para criar universos bizarrinhos mas possíveis, pra incomodar seu público o quanto puder. Noé incomoda pelo nojento e Bertrand Mandico incomoda pela sátira, que pode ser engraçada mas também pode ser dramática. E funciona. Porque ao mesmo tempo que acompanhamos a tal decadência de Eddie, nos divertimos com os dias que ela passa esperando o filme começar mas também depois que o filme começa a ser feito.

Outro ponto legal do filme é a presença, em papeis pequenos mas marcantes, de 2 ícones do cinema italiano, a lenda Ornella Muti e o lendo Franco Nero.

Pra dar vergonha nos filmecos cuzões do Paolo Sorrentino que deve filmar com o roteiro escrito numa planilha de excel.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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