Eu lembro muito a primeira vez que assisti The Rocky Horror Picture Show. Muito pelo que o filme fez com o meu cérebro mas mais ainda pelo anteci……………..pação.
Há anos eu lia pela internet da época que eram as revistas de cinema e música gringas, os jornais ingleses Melody Maker e NME, que sempre falavam deste filme, sempre citavam o filme e que faziam questão de colocar Tim Curry no panteão dos astros do cinema.
Até que eu consegui uma cópia pirata do filme em VHS, em uma locadora que fivcava na avenida Pacaembú que eu era quase sócio de tanto filme que eu pegava lá e que, pra minha sorte, eles tinham muitos filmes piratas e muitos shows piratas.
Por causa deles eu conseguia ver os vídeos, os shows, ver as caras das bandas que eu já ouvia nos vinis que não parava de comprar e por causa deles eu também assistia os filmes que não chegavam legalmente no Brasil, porque demorou pra que o VHS virasse febre e tudo fosse lançado aqui.
Sei que quando eu vi o Dr. Frank-N-Furter, cientista travesti da Transilvânia, tirando a capa que ele chega usando na festa no seu castelo com seu figurino de meia arrastão e corsê, sabia que a partir daquele momento nada seria o mesmo.
E foi assim, lendo essas coisas gringas, que fiquei sabendo sobre “filme cult” pela primeira vez.
Também através da internet da época que eram os fãs clubes, os zines, fiquei sabendo que nos EUA haviam sessões da meia noite do filme onde o público ia vestido como os personagens do filme e que encenavam o filme durante essas sessões, logo abaixo da tela de exibição. E o público que ficava sentado na plateia respondia ao filme todo, criando sessões interativas que duraram por anos e anos e que até hoje em dia se repetem por lá.
A questão sempre foi: quem vai um dia fazer um documentário sobre o filme, sobre a obra, sobre como tudo foi criado. A resposta é este documentário feito por Linus O’Brien, ninguém menos que o filho do autor da obra original, Richard O’Brien, o Riff Raff.
No filme a gente entende como o adolescente malucão saiu da Nova Zelândia, foi parar em Londres onde trabalhou em tudo que podia até que conseguiu papeis em musicais e teatro, onde entendeu que poderia colocar no papel suas ideias.
E daí nasceu a peça, o musical The Rocky Horror Picture Show, uma peça que foi montada sem nenhum dinheiro, que iria ficar em cartaz por no máximo 3 semanas como substituta em um teatro de uma outra que tinha atrasado e sumiria do mapa.
Pra nossa sorte a peça foi um sucesso imediato, foi para um teatro maior, teve os direitos comprados por um produtor de cinema americano e o resto é história.
Quer dizer, o resto está neste documentário, que por ser um filme sobre um dos filmes mais amados e cultuados e adorados da história do cinema, todo mundo envolvido nele deu depoimentos incríveis, reveladores, de corações e mentes abertas.
Tudo isso faz desse documentário obrigatório, um filme que nós que somos fãs sempre soubemos que precisaria ser realizado mas que nós que somos super fãs nunca imaginamos que poderia ser tão perfeito.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

