Eu Não Sou Seu Negro (I Am Not Your Negro) talvez seja o documentário americano mais importante dos últimos anos, politicamente e esteticamente falando.
Dirigido pelo haitiano Raoul Peck, o filme é baseado num manuscrito do grande escritor americano, James Baldwin, gay e negro e ativista político, autor de um dos meus livros preferidos da vida O Quarto de Giovanni.
Em 1979 Baldwin disse a seu editor que estava com um novo projeto que se chamava “Remember The House”, sobre 3 de seus amigos que haviam sido assassinados, Malcolm X, Martin Luther King e Medgar Evers, todos nomes de ponta na luta pelos direitos dos negros no EUA e todos assassinados nos anos 60, uma época que os negros ainda andavam no fundo dos ônibus e usavam banheiros e entradas diferentes dos brancos.
O diretor Peck chamou Samuel L. Jackson para narrar as únicas 30 páginas escritas por Baldwin que são ilustradas por muitos vídeos do próprio Baldwin em palestras, entrevistas e debates, mas o filme é principalmente recheado por cenas de marchas de negros, de protestos e de negros sendo espancados, negros sendo cuspidos, brancos empunhando cartazes nazistas nos anos 60 nos EUA e daí pra baixo.
O filme é uma porrada no estômago, um tapa na cara, de chorar mesmo, nos lembrando que 50 anos atrás isso ainda acontecia no mundo, mas que hoje em dia a luta continua.
Eu demorei para escrever sobre I Am Not Your Negro porque queria que todo mundo que está adorando a nova série da Netflix, Dear White People, achando que é fodona e tudo mais, tem a obrigação moral de assistir esse documentário para entender como funciona na vida real a parada toda.

