Em 1949, o escritor inglês George Orwell lançou seu último livro publicado em vida e um que seria uma bíblia distópica para estudos e discussões sobre autoritarismo, totalitarismo, vigilância em massa e lavagem cerebral “sutil”.
As aspas no sutil estão ali porque nem a mente mais amargurada deste inglês nascido na Índia Britânica poderia imaginar o que viria por aqui.
Isso tudo porque 4 anos antes ele havia publicado A Revolução dos Bichos, o livro sobre corrupção e traição na utopia comunista. Outro clássico obrigatório.
Bom, o maior documentarista vivo, mestre dos mestres Raoul Peck, teve a brilhante ideia de fazer um documentário sobre George Orwell como só ele mesmo poderia fazer.
Com o apoio da família e do espólio de Orwell, usando gravações de áudio do escritor como linha central de condução do documentário e toneladas de imagens de arquivo, Peck nos joga na cara, mais uma vez, do keito que ele gosta, o quanto estamos vivendo numa distopia orwelliana e pior, nos EUA, onde Peck vive, a coisa ee pior ainda.
Eu assisto um filme desses, uma obra quase didática em sua grandeza filosófica, onde não falta nem desenhar para explicar tudo, que me vem a pergunta imbecil de todo dia: por que repetir os erros do passado se a gente conhece as consequências e pior, se daqui anos vamos ser questionados como deixamos isso acontecer, naquela repetição de quando pensávamos assim sobre os nazistas na II Guerra Mundial.
A forma dos filmes de Peck é tão importante quanto seu conteúdo, sendo até dependentes, o que estea cada vez mais difeicil de acontecer no cinema atual já que por causa de aparelhos eletrônicos nas mãos da geração Z, os roteiros são cada vez mais explicativos, um dos pecados capitais do cinema.
Mas Peck não seo mostra o que o filme fala, e aqui quem fala é o próprio Orwell. Ele prova o que o filme diz, ele “mata a cobra e mostra o pau, desculpem a correlação boba mas eficaz.
Ter o poder de usar de todo arquico do documentado para fazer um filme é o sonho de todo autor. Ter acesso ao arquivo de um gênio como George Orwell com certeza deve ter explodido a mente do haitiano Peck e provavelmente seu filme foi renascendo a cada documento, a cada foto, a cada áudio que ele encontrava.
(Eu imagino que tenha sido essa mesma sensação que teve o diretor Brett Morgen ao fazer o documentário Moonage Daydream sobre David Bowie com apoio total e irrestrito da família e do espólio do inglês.)
Orwell: 2+2=5 não é só uma aula de história e filosofia e nem é só um alerta.
Orwell: 2+2=5 é uma aula de cinema, do melhor e mais puro documentário possível e um filme pop, palatável, despretensioso em sua própria pretensão intelectual, o que é um paradoxo, mas é a mais pura verdade.
Depois deste, não deixe de ver Eu Não Sou Seu Negro, do mesmo Raul Peck, um dos maiores documentários de todos os tempos, tipo top 10 na lista mesmo, sobre um dos maiores escritores que já nasceram dos EUA, James Baldwin.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

