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255/365 WHITNEY – CAN I BE ME

Preciso confessar que nunca fui fã de Whitney Houston. Nunca dei muita bola para a carreira dela, claro que sem nunca deixar de admirar o quanto ela cantava bem e tudo mais. Por isso estava enrolando pra ver Can I Be Me, o documentário sobre sua carreira que está na Netflix.

Quando ela morreu, ou mesmo um pouco de tempo antes, fiquei chocado em saber o quanto ela tinha “se perdido” nas drogas, como todo mundo quis que acreditássemos à época.

Como que a cantora mais poderosa de todas, mais famosa, que fez O Guarda Costas, o filme com a trilha sonora mais vendida de todos os tempos, a mulher inimitável, como ela poderia ter se tornado uma junkie e como pode ter morrido de overdose em sua mansão?

Graças ao documentário Can I Be Me, eu vi, e acho que muita gente também viu pela primeira vez, que a história real da oficial que nos foi passada.

Whitney estourou aos 19 anos, sendo filha de uma cantora de gospel famosa e com uma família bem pouco convencional.

Desde então, como fica claro no filme, ela já usava drogas. Ninguém diz exatamente o que, mas a parada já vinha de longe.

A fama veio rápida, numa época onde as gravadoras ainda tinham poderes em suas mãos e a voz de Whitney Houston virou uma constante na vida de todo mundo, no mundo todo. Quer dizer, se aqui no Brasil a gente ouvia o dia inteiro em tudo quanto era lugar, imagino que no resto do mundo também.

Discos, premiações, mega turnês e um casamento todo errado com o misógino bad boy do R&B fizeram com que a vida dela não fosse das mais simples, vivendo em quartos de hotéis para bancar a vida de muita gente que dependia dela.

Só que nesse meio tempo, descobrimos pelo filme, que sua grande amiga, que era a “chefe” de sua vida profissional, sua diretora de turnê era também o amor de sua vida.

E Whitney, vindo da família que veio, nunca pôde ter vivido esse amor como queria e Robyn Crawford passou de braço direito a vilã de uma história controlada pela família da cantora.

Aqui já abro um parágrafo para dizer o quanto isso me lembrou da vida de Amy Winehouse, o que soube inclusive pelo também documentário póstumo, Amy. Lá, o pai de Amy não quis que ela parasse uma turnê mundial para que ela se internasse e começasse um tratamento contra seu vício em drogas e sabemos como aquilo terminou.

Aqui, a família e o marido de Whitney, em uma hora que eles já não aguentavam o quanto Robyn controlava a cantora, fizeram tanta pressão que a amiga/amante/manager não teve opção a não ser pedir demissão e sair de vez da vida de Whitney.

E pra completar, meio que ao mesmo tempo, o segurança “anjo de guarda” da cantora, depois de enviar um relatório sobre excessos e problemas que a cantora vinha passando na última turnê, adivinhem: também foi despedido.

E a vida dela foi descambando ladeira abaixo e deu no que deu.

O foda é ler e ver depoimentos de pessoas, incluindo o próprio Bobby Brown dizendo que ele tem certeza que se eles tivessem deixado que Whitney tivesse ficado com seu grande amor Robyn, ela ainda estaria viva.

As cenas onde vemos fotos do banheiro da casa de Whitney quando ela morreu, com sujeira e drogas espalhadas, parecendo uma casa de crack, são de doer o coração.

O título do filme não poderia ser melhor, Eu Posso Ser Eu, numa tradução hiperbólica minha mesmo. E o diretor Nick Broomfield, o mesmo de Kurt And Courtney, nos mostra mais uma vez o quanto o obscurantismo, o preconceito, as opiniões erradas e a falta de pulso fazem mal, principalmente para super astros da música.

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