(Dê o play na trilha para ler o post, fica mais bacana)
Desde o ano passado que assisti Churchill e adorei o Brian Cox fazendo o papel do Primeiro Ministro inglês, fiquei na pilha para ver a versão do Gary Oldman.
E olha, que show que esse cara dá.
É até feio falar, mas meio que esqueci do outro filme.
O Destino de uma Nação é um filme interessante porque alguém poderia fazer um mashup dele com Dunkirk, já que os 2 tratam exatamente do mesmo tema: tirar 400 mil soldados ingleses presos na praia francesa pelas tropas nazistas que já conquistaram quase todo resto da Europa. E eu ainda digo que no mashup pode ter O Discurso Do Rei, pra ficar perfeito e completo.
Churchill acabou de ser empossado Primeiro Ministro, para descontentamento de muita gente e seu primeiro grande pepino é resolver essa parada em Dunkirk, já que os prognósticos são de que apenas 10% dos soldados sairão de lá com vida.
E como já sabemos, sem spoilers, ele consegue de forma magistral, com a ideia mais esdrúxula possível, depois de tentar até mendigar com o presidente americano.
Bom, essa é a história.
O que interessa no fim das contas são 2 contas: Gary Oldman e o diretor Joe Wright.
Apesar de toda maquiagem e da “fat suit”, dos prostéticos usados pelo ator, em nenhum momento do filme você pensa que é o Gary Oldman maquiado fazendo o papel de Churchill.
Churchill é considerado o maior inglês de todos os tempos, apesar de toda a crítica sobre ele ser culpado de alguns genocídios, na Índia e o de Galipolli. Mas ele foi sim o cara que salvou a Inglaterra de ser invadida pelos nazistas, coisa que a França não conseguiu, por exemplo.
Oldman é tão sutil em viver esse homem tão amado e odiado, esse homem que era grosso, tosco, misógino, preconceituoso, mas foi um gênio da política, estrategista master. Críticas e mais críticas sempre serão feitas ao homem Winston Churchill, mas aqui voltemos ao Churchll do Oldman e do Joe Wright.
O homem vai do 0 ao 100 em segundos, em mudanças corporais sutis, ele grita e sussurra ao mesmo tempo, é o cúmulo dos extremos o tempo todo.
Três cenas me chamam muito atenção: a primeira transmissão de rádio para toda a nação inglesa dele como Primeiro Ministro é linda e tensa, o início, o nervosismo dele, ah que demais! A cena dele mostrando para sua secretária onde e como os 400 mil soldados estão encurralados na França e ela chora ao dizer que seu irmão morreu dias atrás nas trincheiras e como ele muda de tom por isso! E no telefonema dele com o presidente americano, onde todas as emoções possíveis são vividas por Oldman sozinho, apenas com uma voz do outro lado da linha.
É foda o que ele fez, lindo demais.
Uma coisa bacana é um vídeo que viralizou, gravado pela mulher do Oldman que ele mostrou no Graham Norton: é Gary fazendo o Churchill dançando como o James Brown. Muitos níveis de lindeza.
E não por menos ele já está arrebanhando todos os prêmios fodões, Globo de Ouro e SAG Awards e Critic Awards nas mãos, rumo a aclamação final do Oscar.
Torço muito pelo Gary, prêmio em boa hora.
O cara já foi Sid Vicious, o Dracula, Joe Orton, cada um melhor que o outro, só rpa falar nas personagens baseadas em gente real.
E falemos do Joe Wright, o diretor desse O Destino de Uma Nação.
Que homão da porra minha gente.
Ele já era meu preferido desde Desejo e Reparação. Agora não só teve o privilégio de trabalhar com o melhor ator possível para esse papel, como com certeza dirigiu esse ator da melhor forma possível para este papel neste filme.
Além disso, o filme todo é muito bem dirigido, muito bem montado, com muitos closes e muitos planos gerais gigantes. E também com muitos closes de guerra que vão se abrindo em planos gerais mostrando todo o terror. Muito coisa linda. E pra terminar, ele ainda colocou a absurda Kristin Scott Thomas como a esposa de Churchill.
Chega. Veja o filme e delicie-se.
E viva o cinema inglês.
NOTA 🎬🎬🎬🎬
