Jogador Nº 1, o novo filme do Spielberg, é A Fantástica Fábrica de Chocolate de nerd velho.
E isso não é um elogio.
Basicamente eu caí de novo no bla bla bla de uns amigos e fui assistir um filme do Spielberg. No cinema. E obviamente saí de lá com raiva. Nem decepcionado, mas com raiva de mim mesmo.
Jogador Nº 1 é uma bobagem tão grande, que maior só o hype em torno do filme, tentando vender como revolução da ficção científica no cinema um roteiro que de revolucionário não tem nada.
O filme é baseado em um livro de 2011 e a premissa de futuro parece ser de 1911. Nem os Jetsons eram tão inocentes.
No futuro do filme, em 2074, existem drones vigiando todo mundo e mandando informações para os vilões.
No futuro, as favelas americanas são pilhas de trailers. Trailers empilhados!
E se chamam pilhas.
Nem a série 3% foi tão rasa.
No futuro do filme, ninguém mais se comunica no dia a dia, as pessoas vivem em jogos online, principalmente em um que se chama Oasis (!!!) que é tipo um Second Life. Sim, Second Life, onde vc cria um avatar, constrói coisas, tem amigos virtuais e participa de uma competição para tentar ser o herdeiro do próprio Oasis, já que seu criador morreu e não tinha pra quem deixar.
E esse é o filme, uns avatares, que são mais interessantes que seus personagens reais, brigando para conseguir as 3 chaves para ver quem vai se tornar o herdeiro do maluco.
Alguém falou Willy Wonka? Ah, eu mesmo lá em cima.
A grande coisa do Willy Wonka é que ele é o próprio mocinho e seu vilão, um dos melhores personagens já escritos e recriados no cinema. O cara era um doidão, de caráter duvidoso.
No futuro do Spielberg, o criador milionário morto é o cara mais ingênuo e bacana e amoroso e leal e fiel que já existiu. E por isso tudo ele virou um quaquilionário.
Mas obviamente que o filme tem um vilão. Um não, uma organização inteira, a IOI, que quer ganhar a competição no Oasis e virar dono da porra toda.
Pra isso contrata milhares de nerds que só pensam e refletem sobre a cultura pop dos anos 80 e a vida do criador do Oasis, procurando dicas de como decifrar as provas.
Mas não, o fodão é um moleque pobre, que mora com a tia e o namorado abusivo dela, mas que é esperto, inteligente, mas pobre, como Spielberg deixa bem claro o tempo todo. E eu não consegui entender direito o porquê.
Daí o filme se passa inteiro na realidade virtual bem tosca e sem graça, onde avatares são cool, ou tentam ser e uma guerra de proporções galáticas está prestes a acontecer.
Ah, tem até discurso pré batalha chamando o povo pra lutar por um mundo melhor.
Gente, o filme é tão simplista, tão medíocre que, se fosse para crianças de 8, 9 anos de idade seria aceitável, de tão palatável e mastigadinha que é a história.
Mas não, é para adultos, é pra gente que acha o máximo ficar ouvindo música meia boca que toca na Antena 1 enquanto os caras discutem qual jogo do Atari tem o easter egg mais fodão.
Aliás, o easter egg é o golden ticket do Willy Wonka, diga-se de passagem.
Só pra completar: o elenco do filme é de doer e essa também é a causa dos personagens serem menos interessantes que seus avatares.
Ninguém se salva, nem o Simon Pegg, tadinho dele.
O filme é mal escrito, o roteiro tem um monte de barriga e os diálogos da “vida real” parecem saídos de um livro de auto ajuda de maquininha de estação de metrô.
E pra fechar com chave de ouro, o final do filme tem a ideia mais estapafúrdia de todas, com uma pseudo lição de moral idiota que no final contradiz toda a teoria do tal do Oasis e do mundo virtual.
NOTA 🎬1/2 (pela fotografia)

