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140/2019 CHARLIE SAYS

Esse post é antes de tudo uma carta de amor à diretora Mary Harron.

Mulherão da porra.

E totalmente relevada, esquecida, jogada às traças, mas gente, olha a listinha de filmes dela: Eu Matei Andy Warhol, O Psicopata Americano, Bettie Page, mais um monte de episódios em séries ótimas como Constantine, Six Feet Under e The L Word.

Se ligou no tipo de personagem que interessa pra Herron em seus filmes, né?

Charlie Says, seu novo petardo é a história do fiodaputa Charles Manson, contada a partir da ótica de 3 de suas “principais” seguidoras.

Manson é um cara que, em uma época adolescente da minha vida, li muito sobre ele e não me conformava que ele tinha feito o que fez e tentava achar alguma explicação, não por admirá-lo, nem tinha razão, mas por não acreditar mesmo que alguém pudesse chegar ao nível de doideira e crueldade que ele chegou.

Lá eu percebi que ele nunca tinha sido o cara “interessante” que muita gente tentou pintá-lo. Ele deve ter sido um geniozinho do papo bom, que convencia principalmente meninas a largarem tudo e irem morar com ele em seu mundinho particular hippie idílico. Só que aos poucos, quem lê sobre o fofo, descobre que esse hippie era from hell, que ele sempre foi um canalha e que chegar aos nível de filhadaputice que ele chegou era só tempo.

Herron focou seu filme na chegada de Leslie na casa de Manson. E como ele fazia com todos que com ele morava, mudou seu nome para Lulu, já que o papo dele era abandonar o ego, esquecer da família imposta e viver na família escolhida, livremente.

Papo de hippie, né? Na verdade papo de culto, daqueles doidos americanos que ainda arrebatam multidões.

O título do filme, Charlie Says, Charlie diz, é o que todos os seus discípulos diziam quando não estavam com ele presente, arrumando desculpa para tudo de errado que faziam, começando com pegar comida em lixos de restaurantes e “pagando” quem reclamasse com sexo.

Aliás, eles moravam em um rancho de um senhor de idade que eles pagavam com favores sexuais das meninas, mandadas por Charlie, com a desculpa do ego, de se libertarem e que sexo era bacana.

Pilantra.

Charlie consegue dinheiro entrando em casas no meio da noite enquanto seus moradores dormiam, roubavam o que podia, colocavam os porta retratos de ponta cabeça e saíam.

Ele ficava doido quando via que não conseguiam muito dinheiro e aos poucos essas invasões foram se tornando mais violentas atrás de dinheiro “de verdade”.

Até que chegam na casa da Sharon Tate, grávida do Polanski. E o resto é história.

Na verdade, aí que vai a história do filme. Herron mostra o que acontece com Lulu e outras duas asseclas do monstro enquanto estão presas e recebem os cuidados de uma assistente social em encontros e papos que ela tenta entender o que aconteceu com elas e como aconteceu.

Manson era uma lenda em Los Angeles em 1969 com seu rancho, sua família, o amor livre e toda sua filosofia hippie horrorosa. Gente bem famosa o frequentava, inclusive Dennis Wilson dos Beach Boys, que não era parte da família, mas adorava a putaria toda do lugar e inclusive colocando uma música de Manson no álbum 20/20 de sua banda.

A grande crítica que fazem a Charlie Says é de como Harron negligenciou a história de como Manson convencia as pessoas a entrarem para sua família.

Mas ela conta isso em doses tímidas.

E mostra mais o quanto o cara fazia lavagem cerebral absurda com o povo, para que chegassem a níveis inimagináveis.

Das 3 mulheres presas e condenas à morte, 2 ainda estão vivas e se houver alguma força boa por aí, arrependidas, chorando todo dia o dia inteiro sem poderem se perdoar.

Uma das grandes coisas do filme é seu elenco com a fodona Hannah Murray (de GOT e Skins), minha preferida Merrit Wever como a psicóloga, Sosie Bacon, Suki Waterhouse, Annabeth Gish maravilhosamente dirigidas. Matt Reeves sendo o Manson mais desgraçado possível. Tem até o ex Gossip Girl Chace Crawford como o cruel Tex.

Mary Harron, valeu, você é fodona demais.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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