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159/2019 MAPPLETHORPE

Finalmente fizeram uma cinebio de Robert Mapplethorpe, um dos fotógrafos mais importantes e transgressivos de todos os tempos.

O filme tinha tudo pra ser maravilhoso, a começar pela diretora Ondi Timoner que fez Dig!, a porrada cinematográfica que conta a história dos lindos Dandy Warhols e suas rusgas com o “amigo” super junkie Anton Newcombe, de 2004.

Se você não conehce Mapplethorpe, por favor, vá ao google e veja suas fotos de lindas flores, de homens nus de pintos enormes, da cena underground gay leather de NY dos anos 1970/90, das personalidades da arte e do cinema e das capas dos primeiros discos da Deusa Patti Smith.

Daí volte para cá.

O filme tem um roteiro bom, contado cronologicamente, começando quando Robert conhece Patti e vão morar juntos, sem dinheiro para nada, depois se mudam para o Chelsea Hotel e trocam o aluguel por arte que ele criava antes de fotografar e como lá dentro ele foi aconselhado e exatamente tirar fotos e passa de um artista da miséria a um dos maiores estetas do final do século 20, criando o “preto mais preto e mais lindo de todos” em suas fotos preto e branco.

A trilha é boa, a fotografia é muito boa, com toques pontuais que nos remetem àqueles anos.

Mas o filme tem problemas mais fortes que essas qualidades todas.

Primeiro que o ótimo Matt Smith, que foi Charles Manson num filme que falou umas semanas atrás, usa uma peruca horrorosa que o deixa a cara do recém falecido Serguei, o que me incomodou pela primeira metade do filme.

Segundo e pior é que Mapplethorpe é um filme ridiculamente sanitizado.

A diretora Ondi conseguiu tirar toda a droga pesada, as festas e orgias e o sexo dele como michê e o rocknroll do roteiro, pontos muito importantes na criação dele como artista.

E pra piorar ainda mais, ela não mostra nenhum pinto no filme. Ou melhor, mostra um, numa cena patética dele dormindo com outros dois caras enquanto um deles está descoberto.

Parece que a ideia era mostrar as fotos dele e todo o resto, sua luta, suas experiências profundas e seu crescimento não fossem tão importantes.

E mostrando as fotos, que são muitas e ela as mostra bem no final do filme, acabam dando alguma vida ao filme. Mas pra isso, não precisava ter todo o anterior bunda mole que ela criou.

Eu comecei gostando do filme, relevando uma coisa ou outra, mas chega um momento que você quer ver o interessante, não o sem graça.

Resumindo: Mapplethorpe é um filme ruim com um trailer e um poster bons, uma cinebio tímida de um artista absurdamente ousado.

NOTA: 🎬🎬

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