Eu gosto muito do cinema da região do golfo, principalmente dos dramas árabes, mas gosto também dos filmes gays israelenses tipo The Cakemaker.
Os Relatórios Sobre Sarah e Saleem é um drama palestino, bem drama mesmo, nível O Apartamento do Asghar Farhadi.
Olha a história do filme: Sarah é uma judia que tem um café em Jerusalém e Saleem é um entregador que trabalha para uma padaria no lado palestino de Jerusalém, que faz entregas para o café de Sarah.
Os 2 começam um romance bem arriscado já que ambos são casados, vivem em lados opostos e inimigos mas não pensam, não raciocinam e se jogam.
A “desculpa” deles é que a mulher de Saleem está casada e diz que fazer sexo pode prejudicar o bebê.
Lá do outro lado, Sarah e seu marido militar estão também passando uma crise no casamento, o que desanima Sarah quando chega em casa e por essas e outras ela fica mais tempo no café.
Uma coisa leva a outra, os 2 se aproximam e a relação fica a beira de uma explosão iminente.
Como disse, o filme é um descendente direto do Farhadi e seu diretor Muayadi Alayan é um de seus melhores discípulos.
A grande sacada do roteiro, escrito pelo irmão do diretor, Rami, foi interligar o romance e a política de uma forma que não dê para pensarmos em uma sem a outra.
O filme poderia muito bem ser um romance russo do final do século XIX ou um drama Rodriguiano carioca dos anos 1960, mas é uma hist´ria absolutamente atual de 2019, uma história universal que poderia ser contada quando e onde se queira.
O filme fala sobre amor, sobre política, moral, poder e muito sobre privilégio de uma maneira desconfortável, crua e precisa.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

