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195/2019 FIRECRACKERS

Todo ano tem o filme bom de molecada not so white trash americana, incrível.

Ano passado foi o Projeto Florida. No anterior foi o Docinho da América. E esse ano é o surpreendente Firecrackers.

A grande coisa desses filmes é em princípio discutir a pobreza, a miséria, a impossibilidade de futuro, o sexo, as drogas, do jeitinho que é o subúrbio americano.

E como sempre digo aqui, conte uma história relevante de sua vila que ela se torna uma história que ressoa no mundo inteiro.

Assim, esses filmes “suburbanos”no pior dos sentidos, poderiam ser filmes sobre quaisquer subúrbios, poderia ser um Pixote mas também poderia ser um Cafarnaum.

As firecrackers (espoletas) do título são Lou e sua amiga Chantal, duas garotas de 16 anos que resolvem largar a escola e fugir pra NY com o dinheiro que elas economizaram sendo faxineiras de um motel de beira de estrada. E se drogam. E transam. E se fodem muito.

Só por isso elas se acham as fodonas do lugar lixo onde moram, principalmente Lou, que mora com a mãe alcoólatra e com o fofo do irmão mais novo que gosta de se vestir de mulher e usar glitter, num muquifo, um barraco caindo aos pedaços.

As duas sonhadoras vão aos poucos descobrindo que sonhar é de graça mas realizá-los é a coisa mais difícil, quase impossível nos dias de hoje.

Obviamente o percurso delas até que alguma coisa do sonho sobre e quem sabe um dia, de alguma forma, se elas tiverem um pouco de sorte, que nunca tiveram, ele se realize é uma via tortuosa, dolorosa, cheia de sangue, suor e muitas lágrimas, literalmente.

Firecrackers é um filme soco no estômago.

A diretora e roteirista Jasmin Mozaffari não nos poupa de nada colocando a câmera a um palmo de suas personagens o tempo toda, corre atrás delas quando elas correm e nos deixa tão dentro da história que de vez em quando temos que dar uma respirada mais profunda pra seguirmos o filme.

Firecrackers é uma surpresa boa demais e como os filmes que citei lá no início, está pavimentando um caminho para que isso vire um gênero no cinema americano, já que a possibilidade de que cada vez mais tenhamos filmes sobre miseráveis seja grande.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

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