023/2022 LUZZU

Luzzu é um filme de Malta que tentou representar seu país no Oscar de filme internacional.

Muito além disso, Luzzu é um grande filme.

A história de Luzzu é tão relevante, importante e urgente que poderia se passar no Brasil e em qualquer outro lugar do mundo.

Jesmark é um pescador das antigas, com seu luzzu, seu barquinho de madeira pequeno tradicional de Malta, que pertenceu a seu pai, avô, bisavô e de onde saiu o dinheiro que vem sustentando a família Scicluna há gerações.

Mas hoje em dia, com a pesca predatória que vem acabando com o fundo do mar, com os peixes e que vai acabar com a fauna marinha em 20 ou 30 anos, como diz um dos “vilões” do filme.

Jesmark é um jovem pescador, recém casado e recém pai, preocupado em como sustentar sua família e principalmente seu bebê que está com problema de crescimento.

Pra piorar, tem que aguentar a sogra que tem tudo contra Jes, claro.

Mesmo assim ele luta como pode pra tentar pegar seus peixes que nem sempre consegue e pra piorar, quando consegue, precisa lutar para que vendam bem para ele conseguir um pouco de dinheiro.

Se a gente achava que esses eram os únicos entraves da história de Jesmark, as autoridades que cuidam da pesca em Malta estão oferecendo dinheiro aos pescadores originários um dinheiro para que vendam seus barcos e comecem outros empregos.

Jes pensa no que fazer e começa a trabalhar informalmente com os pescadores “do mal”, os caras que arrastam o fundo do mar, que não seguem as leis de proteção da fauna marítima, aqueles que lhe disseram que o mar morre em 20 anos.

O diretor Alex Camilleri sabe o que faz em seu filme.

Luzzu é uma ode à história, às tradições e também é uma crítica ao capitalismo selvagem, aos inescrupulosos.

Luzzu mostra que no mundo de hoje ou a gente faz o que precisa pra sobreviver ou não tem opção.

E a gente enxerga a luta filosófica e prática, porque não, nos olhos de Jesmark, vivido pelo ótimo (e lindaço) Jesmark Scicluna, um ator que me fez acreditar que ele seria mesmo um pescador que passou por tudo isso.

Só que não.

O cara é tão bom que venceu o prêmio de melhor ator por esse filme no Festival de Sundance de 2021.

Resumindo: Luzzu é uma pérola, um filme pequeno, lindo, vindo de um país totalmente fora da rota cinematográfica mundial e que me deixou querendo mais de Malta (principalmente pela língua incrível, com muita similaridade a um português biebado), do diretor Camilleri e principalmente do ator Jesmark Scicluna, sobre a tradição em transição.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

Um pensamento sobre “023/2022 LUZZU

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