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242/2023 AFIRE

Só de olhar para o poster de Afire você já sabe que é um filme do mestre alemão Christian Petzold estrelado por sua (e nossa) musa Paula Beer.

Afire (ou Em Chamas), se passa em uma casa de veraneio, na praia, em um verão infernal onde queimadas estão sendo constantes pela Alemanha e nem a proximidade com o mar alivia a situação.

No caso deste filme, a proximidade com o mar cria dramas que nossos protagonistas não esperavam que acontecessem.

Leon aceita o convite de seu amigo Felix para passarem uns dias na casa de veraneio da família para adiantarem projetos que estão prestes a serem entregues.

Leon é um escritor jovem que em uns dias vai ter um encontro com seu editor para juntos lerem o manuscrito de seu livro.

Felix precisa terminar seu portfólio fotográfico e pretende que a inspiração venha com os sopros marítimos.

O que os amigos não esperravam eram encontrar companhia na casa.

Nadja, amiga da mãe de Felix, está lá e por mais que ela não convivva com os amigos, sua presença se faz notar.

Principalmente por Leon que se incomoda com a bagunça de Nadja, o barulho que ela faz a noite, o próprio fato dela não estar nunca presente.

Aliás, um parêntese, se o título de filme A Pior Pessoa do Mundo não tivesse sido recentemente usado pelo norueguês Joachim Trier, Petzold poderia ter dado esse subtítulo a Afire, porque Leon é o cara mais insuportável que a gente vai escontrar esse ano em um filme relevante.

E ele ser insuportável, aliado ao clima geral do calor do verão mais o fogo que pode estar próximo faz com que Afire de repente “pegue na estopa”.

Eu não chamaria de virada de roteiro nenhuma das “surpresas” que acontecem no filme, mas Petzold brinca com o espectador de uma maneira bem cruel.

Por alguns momentos Afire se aproxima de uma comédia romântica. Já em outros se aproxima de um draminha de verão francês.

Mas o que Petzold nos entrega de verdade é um dos filmes mais sóbrios e inteligentes do ano, com uma Paula Beer melhor que nunca (se é que isso fosse possível), em um papel tão complexo e ao mesmo tempo tão banal, da mulher que já existiu em várias divas do cinema, de Sophia Loren a Isabelle Adjani, com seus vestidos floridos e esvoaçantes, sem querer fazendo com que todos os homens se curvem aos seus encantos.

Perdão pela divagação, preciso deixar claro que Afire não é o filme da mulher sedutora na praia, no verão blá blá blá.

Afire é o filme prestes a pegar fogo pelas tensões, pelos dramas e principalmente pela profundidade de sentimentos (banais?) prestes a acontecerem com cada personagem.

Personagens estes que estão com o pé atrás esperando que o fogo chegue, o literal e o metafórico.

Mais um #alertafilmão do grande Petzold.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬🎬

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