O dinamarquês Filhos é um filme tão tenso, tão violento, tão dramático e tão bom que ao final eu queria ver o próximo episódio e o próximo.
Filhos do diretor Gustav Moller, muito querido aqui neste blog por seu filme A Culpa, aquele thriller bom pra caramba sobre o policial que recebe um telefonema de o que parece ser uma mulher em perigo e que precisa resolver o suposto crime sem terminar a ligação.
Filhos é mais um thriller, também com policial envolvido mas desta vez nós assistimos tudo o que acontece, enquanto que em A Culpa a gente precisa imaginar tudo através da conversa pelo telefone.
Em Filhos a personagem principal também é uma policial, Eva (vivida pela maravilhosa Sidse Babett Knudsen), que trabalha em um presídio, na área de segurança mínima e se dá muito bem com os presos.
Um dia ela vê novos homens chegando e pede para o diretor a transferência de ala. Ele se espanta porque ela quer sair da tranquilidade e ir para a ala de segurança máxima com o povo barra pesada mesmo.
E lá vai Eva para a nova vida profissional péssima que ela mesma escolheu.
Mas logo obviamente a gente descobre a razão de mudança tão drástica: Eva começa a tratar mal, pegar no pé mesmo, de um desses recém chegados, um homem jovem todo tatuadoo, com uma cicatriz de ponta a ponta em seu estômago e com a maior cara de loirinho desgraçado possível.
O problema de Eva é que ela não está nada “sob controle” e aos poucos vai causando erros que chamam a atenção de seu chefe Rami (o muso dinamarquês Dar Salim). E a coisa vai ficando feia pra Eva, que é quase mandada embora do emprego, mas que para nós espectadores curiosíssimos, vamos descobrindo o que realmente está nos planos dela e quem é o prisioneiro da cela 017 que ela faz questão de provocar.
Mesmo com 2 atores de um nível inigualável no filme, Sebastian Bull é com certeza um nome a ser lembrado, já que seu assassino cruel tatuado é um exemplo de como levar um personagem a extremos opostos de formas que beiram a perfeição. E que isso só é possível com um ator de muito talento.
Em Filhos a gente vê que o roteirista e diretor Moller não era artista de sucesso único, que seu A Culpa não era sorte de principiante.
Tudo o que a gente viu naquele filme, ou melhor, tudo o que a gente não viu mas que nos levou a extremos de nervoso, nós vimos em close escatológico, o que adiciona à trama.
O título nacional não precisava ser esse, se bem que acaba distraindo nossa percepção até o momento que o diretor resolve começar a nos dar dicas do que estamos realmente acontecendo. E mesmo sabendo tudo, Filhos é filme de tensão radical, aquele tipo de suspense que o Hitchcock dizia que “quando o espectador sabe quem é o assassino, o roteiro precisa ser duplamente genial”.
E Filhos é.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

