Por você, ó leitora, ó leitor, eu saí de casa numa noite fria e assisti um filme dublado e, pasmém, em 3D.
Quer choque maior?
Assisti um filme de super herói: 3 mordidas na língua na sequência sem nem cicatrizar.
Sim, meu povo, fui assistir Superman e olha, eu até que gostei do filme.
O Superman e o Batman são meus super heróis preferidos, ou só os que eu gosto mesmo, me lembram muito a infância pelas revistinhas mas no caso do Superman, pelos filmes com o Christopher Reeve, o primeiro lá de 1978, lançado quando eu tinha 11 anos de idade, com Marlon Brando e Gene Hackman, que me deixaram bobos.
Aliás, assisti aquele filme acho que umas 30 vezes no cinema porque nas férias, tinha sessão dupla com Superman como primeiro filme e todos os dias um filme diferente na sequência. Se fosse qualquer outro filme talvez eu só chegasse na segunda sessão mas ver o Superman voltando no tempo era o máximo.
Corta para 2025, julho, a DC lança um filme novo do Superman depois de várias porcarias estreladas por Henri Cavil, filme este agora sob a batuta de James Gunn, um dos diretores e roteiristas mais pop de Hollywood, no melhor dos sentidos.
Gunn se lançou no cinema com um dos filmes trash mais legais de todos, Tromeo e Julieta, da Troma, a produtora mais “sem vergonha” dos Estados Unidos, de novo, no melhor sentido.
A carreira de Gunn foi se pavimentando com acertos e mais acertos ate que poucos anos atras ele foi anunciado como o nome por trás dos filmes da DC, estreando seu domínio com este Superman.
O filme é legal, não é uma maravilha como eu esperava mas não me decepcionou tanto.
Eu, pra ser sincero, achei que o filme seria uma nova leitura da história de início do herói, da chegada dele na nave da planeta que explode, de como ele cresce no interior e aos poucos vai se descobrindo diferente, como foi aquele filme que eu vi umas 30 vezes quando criança.
Mas Gunn já começa seu filme no meio, a história já está acontecendo e a gente não cai de paraquedas porque o super herói da cueca por cima da calça está enraizado nos nossos cérebros.
A gente conhece o salvador dos EUA de trás pra frente. Sim, você conhece, porque o Superman virou um personagem de significado e importância maior que o das revistinhas.
E a gente vê esse tamanho todo no roteiro deste filme porque James Gunn escreveu uma história muito absurda onde o vilão careca Lex Luthor é o pior cara do mundo, um bilionário que tenta dominar a presidência dos EUA, que banca um guerra entre um país rico e cheio de armas que invade um país pequeno e pobre porque ele pretende dividir as terras desse país e transformar em um balneário.
Já ouviu essas histórias?
Lex Luthor é uma mistura de Trump com Elon Musk, só que sem os horrores físicos dos personagens da vida real, na pele do bonitão Nicholas Hoult, o que deixa tudo mais assustador ainda.
Já Superman tem uma cara nova. Gunn escolheu a dedo o também bonitão David Corenswet, um ator jovem, com cara de filho exemplar e quando quer, jeito que arrasa com o coração da linda Louis Lane, vivida pela minha preferida Rachel Brosnahan, a Sra Meisel que a gente tanto ama.
E um dos grandes dramas do filme é que Clark Kent, ou melhor, o Superman é um Alien e muito perseguido na história por isso mesmo, por não ter nascido nos EUA. Inclusive na vida real, nos States, quem vive lá mas não nasceu lá é chamado de “alien” e hoje em dia tratado como se viesse de outro planeta. Mais um meneio genial do roteirista James Gunn
Mas quem rouba a cena não são as explosões, as ideias malucas e bilionárias do vilão ou o super herói apanhando. Nem mesmo a casa de gelo do Superman. O astro do filme é o Krypto, o super cão, o viralatinha mais fofo e mais brincalhão de todos.
Se você conseguir relevar toda a porradaria, todas as explosões, os super heróis (sim, tem alguns outros além do homem de aço), vai se divertir neste filme porque o que faltou nos filmes anteriores deste universo aqui eu encontrei, que foi o bom humor, o saber não se levar tão a sério, o entender que o Superman é um personagem de ficção, que tudo o que a gente está assistindo é “de mentirinha”, apesar das referências à vida real e só por isso já vale o ingresso.
NOTA: 🎬🎬🎬1/2

