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340/2025 VALOR SENTIMENTAL

Na minha imodesta opinião, o diretor deste Sentimental Value, um dos filmes mais incensados de 2025, Joachim Trier, é um dos meus 5 diretores vivos preferidos.

Os 2 mais últimos filmes do norueguês foram há penas A Pior Pessoa do Mundo e meu preferido Thelma.

Só por isso eu já ficava nervoso com qualquer possibilidade de poder assistir Este mais recente, que saiu de Cannes vencedor do Gran Prix.

Mas Sentimental Value não correspondeu às minhas expectativas.

Veja bem, não estou dizendo que o filme não seja bom, muito pelo contrário, é ótimo, só não é a obra prima que todos bradavam aos 4 ventos que fosse.

O filme basicamente é sobre uma casa, onde viveu por muitas gerações a mesma família, e que no presente do filme, vivia a mãe de Nora e Agnes (que falece logo antes do filme começar) as irmãs que cresceram longe do pai cineasta/artistão que as abandonou bem cedo por não querer uma vida pequeno-burguesa, brincando de casinha e de família, segundo o próprio.

Mas enquanto elas estão preparando para vender a casa, o pai volta, para o velório, e trás em mãos o roteiro de seu novo filme, depois de 15 anos sem lançar nada. E ele quer que Nora (a musa Renate Reinsve), sua filha atriz de teatro de sucesso, seja a protagonista da história que se passa exatamente na casa da família.

E o que a gente vê é o tal do valor sentimental que a casa tem para cada um dos 3 familiares vivos, a irmã atriz de teatro que não consegue nem conversar com o pai, a irmã que foi atriz de um filme do pai quando criança mas hoje é mãe de família e o pai, aquele personagem quase caricato do velho artista de 70 anos de idade, com todos os cacoetes e maneirismos possíveis, desde não aceitar “a Netflix”, dar em cima de enfermeiras, passar mal depois de noitada e tomar o remedinho que estava no bolos do paletó, de tentar negar sua própria “velhice” ao se enxergar no amigo da mesma idade que precisa de bengala para andar e por aí vai.

Gustav Borg, o diretor e pai ausente (Stellan Skarsgard), só não cai na caricatura porque o filme em si não é o melodrama que a gente espera de Trier. Sentimental Value vai por um caminho mais cômico, mas veja bem, comeedia norueguesa, fria, calculista, daquelas que os caras riem sem mostrar os dentes.

A confirmação da “piada” do norueguês é a personagem de Elle Fanning, a estrela de Hollywood Rachel Kemp, que conhece o diretor/autor em um festival de cinema e topa estrelar seu filme, que vai ser produzido e lancado pela Netflix.

Todas as críticas que Trier sempre teve vontade de fazer ele joga na relação diretor de arte versus atriz de Hollywood. Todas com um sarcasmo de leve, acho que para não ofender demais quem se enxerga nas historinhas.

O valor sentimental de Trier não apaga a possibilidade de infelicidade familiar, das tentativas de aproximaçnao, de conversa, de entendimento entre 3 pessoas que são tão próximas e tão distantes em suas vidas rotineiras. E pior, 3 pessoas que precisam chegar ao fundo dos seus poços ególatras para dar o braço a torcer, principalmente por tomarem umas chapuletadas quase de leve em seus relacionamentos que nunca são sadios, nem com a família, nem com os mais próximos.

Acho que a genialidade sutil de Joachim Trier foi por água abaixo quando ele partiu pra esse bom humor, essa quase comédia tosca, principalmente com a personagem da atriz americana, uma tirada muito cara de pau desnecessária, quase que explicando a que veio.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬

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