The Wicker Man, O Homem de Palha, é conhecido como a Monalisa dos filmes de folk horror, de horror caipira.
O filme britânico de 1973, que se passa em uma ilha escocesa, conta a história de um policial (virgem) que chega ao local para investigar o sumiço de uma jovem.
Logo ele é apresentado ao mais que icônico Lorde Summerisle (“ilha de verão”), vivido pelo maravilhoso Christopher Lee, líder religioso da pequena comunidade que vive ao redor dos seus rituais pagãos.
E de suas esquisitices maravilhosas, além dos rituais.
Este documentário é sobre o quanto o filme acabou com a família de seu diretor, Robin Hardy. E este documentário é dirigido, produzido, escrito aos trancos e barrancos pelos filhos de Hardy que, tadinhos, odeiam o pai até hoje.
O trabalho de pesquisa, de busca, de ir atrás, de desvendar “mistérios” é dos melhores. Os meio irmãos não poupam esforços para ir atrás de cada pista que vai surgindo em sua busca das razões pelas quais seu pai acabou com a infância e as vidas deles e de suas famílias.
Uma coisa muito legal que eles contam é que O Homem de Palha só foi produzido, no final das contas, porque Christopher Lee entrou no projeto, o que era uma grande coisa porque ele já era o grande nome do horror.
E o legal é que ele entrou no projeto porque queria finalmente fazeer um filme onde ele teria muitos diálogos, muitas falas e depois de algum esforço, ele teria um ou mais monólogos importantes no filme, porque até então ele só fazia monstros e a gente bem sabe como monstros se comunicam: destroçando as pessoas.
Um grande problema para o filme ser produzido era que o diretor Hardy não tinha feito nenhum longa antes, ele só dirigia comerciais e algumas coisas para tv, apesar de ter uma produtora conceituada nesse campo tendo inclusive como diretores os ainda desconhecidos Ridley Scott e seu irmão Tony Scott.
Outro nome forte do projeto era do autor consagrado David Pinner, cujo livro Ritual serviu de base para o roteiro do filme.
Depois de muito trabalho, eles conseguiram o dinheiro e fizeram o maior filme de horror caipira de todos, o que seria referência para sempre.
Mas o filme foi lançado de forma errada, a produtora de onde veio o dinheiro foi vendida, o diretor pirou, mas mesmo assim ele conseguiu um belo filme, com uma equipe invejável de profissionais ingleses da época, o que a gente enxerga no filme a cada assistida.
Mas o depois, entre terminar de filmar e lançar e depois do lançamento, foi o que acabou com as vidas das famílias e é aí que os irmãos focam sua pesquisa e mostram seu ódio primeiro ao pai e depois a tudo que veio por causa dele.
O que me irritou um pouco no início, esse ódio todo, essa detonada ao diretor/pai, aos poucos foi me conquistando e eu cedi aos encantos da choradeira dos irmãos e à desgraça da família de um artista que não soube lidar com nada que veio depois da criação e do lançamento de sua obra prima.
Que filme!
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

