O que dizer do filme Michael, a biopic do michael Jackson dirigida pelo Antoine Fuqua, que está sendo lançado com uma fúria implacável mundialmente e sendo odiado com a mesma fúria por quem conseguiu chegar ao final da sessão. De tortura. (Porque quem dormiu não pode falar que o filme é bom.)
Pra começar o Michael Jackson vivido por seu sobrinho Jaafar Jackson parece uma drag queen meia boca montada de Michael para participar de um episódio do snatch game do Ru Paul’s Drag Race e que vai ser eliminada de cara.
Sem desmerecer as drag queens obviamente.
Não tem como fazer um filme do Michael Jackson, uma ficção sobre sua vida, e colocar um ator (no caso o cara nem ator é, tô enganado) super maquiado e querer que o público acredite que aquele é o Michael Jackson amado e idolatrado que vive em nossas memórias.
Foi como no Bohemian Rhapsody colocarem o Rami Malek (é ator e foi ruim, imagina se não fosse) com a dentadura mais tosca da história do cinema e querer que o público acreditasse que ele era o Fred Mercury, amado e idolatrado, que vive em nossas memórias.
Por isso que eu amo tanto a família do David Bowie que já disse que nunca vai liberar a história do maior de todos para virar um filme de ficção.
Quem vai acreditar que alguém, mesmo que seja a Tilda Swinton, seja o Bowie amado e idolatrado?
Mas o sobrinho nem é o maior dos problemas.
E eu, jênio com J que sou, descobri o grande propósito de terem realizado Michael.
Este filme é uma obra cinematográfica para ser entregue ao Papa Leão XIV pedindo a canonização de Michael Jackson.
Que nem era católico.
Mas imagina ter São Michael Jackson que legal seria.
Porque pelo que vemos no filme, Michael fez 3 coisas na vida: apanhou de cinta do pai, visitou crianças e jovens enfermos em hospitais e entre essas 2 coisas criou um dos melhores catálogos musicais da história.
Ele foi um santo.
Não foi acusado de pedofilia, não foi julgado e fez acordo com vítimas de pedofilia, não segurou seu filho de cabeça pra baixo numa janela de hotel, não andava pra cima e pra baixo com meninos pequenos, de mãos dadas, pelo mundo, não foi viciado em opióides.
Nada disso.
Ele foi um astro da música viciado em cirurgias plásticas, com um pequeno problema de vitiligo, um amor grande por animais que ele comprava e tinha em casa desde o chimpanzé de estimação a cobras e girafas e enquanto seus irmãos adultos iam sair com mulheres ele ficava em casa jogando Twister com seu macaquinho melhor amigo de estimação.
Tudo isso porque apanhou do pai, de quem morreu de medo a vida toda. Aliás, esse pai é um dos personagens mais terríveis do cinema, horror da vida real, vivido pelo ótimo Colman Domingo.
Se você assistiu o filme sobre o Queen, vai perceber que este Michael é igualzinho, mesma (falta de) lógica de roteiro, mesma tentativa de endeusamento do astro, mesma quantidade absurda de
“licenças poéticas” na história.
Tantas licenças, ou inverdades, que sua irmã Janet Jackson não autorizou que falassem dela no filme.
E os 2 filhos mais velhos de Michael Jackson também se recusaram a participar do projeto, tendo só o mais novo, Prince Jackson, nos créditos como produtor executivo.
E o Antonine Fucqua, diretor tão fodão?
O que aconteceu com ele?
Michael tem a direção mais preguiçosa e sem graça possível, nível filme do Queen. E daí vemos que a culpa é da mesma produtora que realizou ambas biopics.
Mas Fucqua podia ter se esforçado, ter tentado impressionar com a história de vida impressionante do rei do pop.
Que nada.
A quantidade de cena ruim e sem propósito no filme é irreal. Se tiradas, acho que o filme teria pelo menos uns 15 minutos a menos.
Mas eu acho que hoje em dia esses filmes grandes precisam ter mais de 2 horas mesmo. E o público que aguente.
E se você não for uma criança de 9 anos de idade, você que aguente.
1 claquete de nota pela trilha que obviamente, não poderia ser ruim.
NOTA: 🎬

