150/2021 CRUELLA

Qual foi o último filme bom da Disney em live action, com elenco e tudo filmado, que você assistiu?

Eu nem lembro, pra ser sincero.

Mas Cruella, em cartaz no cinema e na Disney+, veio literalmente com os 2 pés na porta para retificador esse erro.

Eu achei o filme tão bom que eu aposto que vamos ver elenco e equipe saindo bem felizes das próximas premiações, Oscar incluso.

E se por um acaso do destino o filme vencer o Oscar de melhor filme, o que é meio precipitado de dizer por estarmos no início da temporada dos EUA, mas sei lá, vai que ganha, sabe quem ganha o primeiro Oscar da carreira?

Glenn Close.

Olha as voltas que a vida cinematográfica dá.

Glenn é uma das produtoras executivas do filme, daquelas que recebem a estatueta se o filme ganha.

Mas falemos do filme.

É ótimo, já disse?

Emma Stone, a Cruella já oscarizada, dá um banho, um show, faz o que quer e o que não quer e rouba o filme pra si, mesmo tendo outra Emma também oscarizada, a Thompson, como sua nêmesis no filme.

Eu amo esses filmes de origem, comuns nas franquias de super heróis, onde vemos a história prévia dessas personagens icônicas.

Cruella, o filme, mostra como Estella foi uma criança endiabrada, como diria minha avó.

Esperta, inteligente, menina que não levava desaforo para casa, criada por uma mãe fofa, paciente, que fazia o que podia e o que não podia para cuidar de sua filha “de personalidade forte”.

Sim, Estella era mal educada mesmo. E a culpa não era da mãe, como a menina dizia, era seu lado ruim que se chamava Cruella.

Quando mãe e filha precisam mudar de cidade de novo porque a menina teve problemas na escola, elas param no meio do caminho em uma mansão onde a mãe é assassinada.

Estella vira uma adolescente sem teto morando nas ruas de Londres onde conhece outros 2 adolescentes na mesma situação que serão seus companheiros de vida, Jsper e Horácio.

Vivendo de pequenos roubos e “enganações”, o sonho de Estella é ser estilista e trabalhar na maior loja de departamentos da cidade.

Quando consegue, é para ser faxineira exatamente do departamento de moda e num acaso, ela mostra que é uma Vivienne Westwood da vida, chama a atenção da famosa estilista Baronesa Hellman, pra quem começa a desenhar roupa.

Ao descobrir que a Baronesa tem uma ligação com a morte de sua mãe, Cruella ganha vida de novo e planeja sua vingança como só ela pode com a ajuda de seus amigos.

O roteiro de Cruella deve ter levado anos e anos para ficar pronto, deve ter passado pelas mãos de muita gente porque eu não consegui encontrar um buraquinho sequer.

E olha que tiveram que dar muita volta para tirarem 2 detalhes importantes da vilã da Disney: ela ser uma fumante inveterada e ela matar os dálmatas para fazer seus casacos.

Mesmo assim a personagem é má.

Bem má mesmo.

O medo que eu tinha era que a Disney transformasse uma de suas maiores vilãs em uma mulher que “só erra de vez em quando”. Mas não.

Sabe quando os fins justificam os meios?

Cruella sabe, mas ela se perde. Ela usa toda sua genialidade para atingir seus objetivos.

Erra muito no meio do caminho mas entre tapas e trombadas, vai longe.

O australiano Craig Gillespie, diretor de Eu, Tonya, comanda o filme com mãos precisas e ao mesmo tempo que dança e samba em planos e sequências de mestre, tem a consciência “executiva” ao saber que o filme não pode se perder em “firulas” fílmicas.

Além das Emmas, o elenco principal do filme é lindo, com Mark Strong (Kingsman) perfeito como sempre, Paul Walter Hauser (Eu, Tonya) e Joel Fry (Game of Thrones) como a dupla de pilantras amigos, John McCrea (God’s Own Country) como o new romantic mais punk da Disney e a lindaça e talentosíssima Kirby Howell-Baptiste (Killing Eve) como a amiga de infância de Cruella.

Apesar disso tudo, Cruella tem 2 pontos fortíssimos, que de onde, com certeza, sairão prêmios mais que merecidos.

O figurino de Cruella renderia um semestre inteiro de aulas em um curso de moda no cinema, junto de toda direção de arte do filme e suas locações e cenários.

Que absurdo a já oscarizada Jenny Beavan fez.

A quantidade de vestidos originais criados e produzidos, a quantidade de “looks” durante o filme inteiro, é de dar inveja a qualquer produção.

A história da vingança da Cruella é também contada através das roupas que ela usa, das roupas que ela cria para a Baronesa e também pelo figurino todo da Baronesa, suas jóias, seus acessórios, tudo usado com maestria por Emma Thompson, que criou uma personagem tão única que é outra que não sai de mãos abanando nas premiações vindouras.

Para fechar com chave de ouro, não dá pra não falar da trilha de Cruella.

O diretor musical parece ter sido o Edgard Wright de Em Ritmo de Fuga.

Não tem uma única cena ou sequência de Cruella que não tenha uma música conhecida, que acompanha direitinho a cronologia do filme com o que era “hit” na época, com uma canção original de Florence + The Machine.

De Bowie a Queen, Elton John, Nina Simone, Bee Gees, Tina Turner, Blondie, Clash, Stones, Suzi Quatro, The Zombies e um monte mais.

Daria uma festa ou uma edição do podcast Já Ouviu?.

NOTA: 🎬🎬🎬🎬1/2

Resenha de 30 segundos:

Trailer:

2 pensamentos sobre “150/2021 CRUELLA

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