281/2022 ARMAGEDDON TIME

Parabéns, cinéfilXs.

Vocês que acharam o máximo a porcaria que é Licorice Pizza, o filme sobre a adolescência sem graça do Paul Thomas Anderson e que deu tanto hype pro filme, agora aguenta a nova moda de Hollywood: filmes sobre as adolescências sem graça de diretores (alguns deles) tão sem graça quanto.

Armageddon Time é um desses.

O novo (e mais um) filme sem graça do diretor sem graça James Gray, aquele de Ad Astra, conta histórias de sua adolescência na Nova York dos anos 1980, vivendo numa família judia que se escondia com um sobrenome vido não se sabe de onde, com um avô super bacana, uma mãe típica dona de casa, um pai rígido e um irmão mais velho bem cuzão.

Gray, no filme Paul Graff, foi um moleque “encapetado”, pra usar um termo da época.

Ele só queria desenhar, ser artista famoso e não estava nem aí pra escola nem pros estudos.

Seus pais sofriam em suas mãozinhas escrotinhas até que perdiam a paciência e davam umas belas surras de cinto, bem típico da época (ai minhas pernas).

Gray quase faz um filme bom.

Mas tudo o que ele rebolou para mostrar os “probleminhas” políticos e sociais da época como sua família judia na surdina, Reagan sendo eleito e eles achando que seria a época do armagedon, que a guerra nuclear viria com certeza mas o pior de tudo, o quanto o amigo negro de Paul era, não só relegado a segundo plano por todos os adultos brancos, mas como o próprio Paul tem que passar por uma prova de fogo em relação ao amigo e falha miseravelmente.

Aliás, quem falha é James Gray, como eu ia dizendo. Ele conseguiu convencer um monte de gente, inclusive um monte de produtor fodão brasileiro, que sua história sem graça valeria a pena ser contada.

A única coisa boa que eu tiro do filme é que Gray, dou meu braço a torcer, é um grande diretor de elenco.

Anthony Hopkins, o avô super bacana do jovem Paul, é um personagem inesquecível, daqueles que dão vontade de colocar no bolso e carregar por aí pra dar boa sorte e felicidade no dia a dia.

Mas quem rouba o filme nas poucas cenas que aparece é o ídolo e muso de Succession, Jeremy Strong, como Irving Graff, pai de Paul.

Todo mundo diz que trabalhar com Strong é difícil, que ele é daqueles atores de método, que entra no personagem e não sai nunca mais.

A gente tem visto o que ele faz muito bem feito na série da HBOMax, mas aqui neste filme, eu aposto que ele vai ser indicado ao Oscar de coadjuvante e a cena que vai aparecer na cerimônia de premiação vai ser a do carro, quando o pai fala sobre o avô para os dois filhos.

Armageddon Time é um dos filmes que estarão na programação da Mostra Internacional de São Paulo que estreia dia 20 de outubro com mais de 200 filmes na programação, inclusive os vencedores de Cannes, Berlim, San Sebastian. Vai ser aquela lindeza de mergulhar de cabeça como todo ano e vocês que me aguardem aqui falando disso tudo mais e mais.

E só pra deixar claro: eu até curto filme sobre adolescência/infância de diretor, contanto que sej ano mínimo do nível de Quase Famosos. (E se segura que até o fim do ano tem o do Spielberg.)

NOTA: 🎬🎬🎬

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