Povo pedindo extradção do Mengele. Ele era o médico pessoal do Stroesner. arquivo achado pelo mundo
O que acontece com a memórias de uma ditadura que durou 35 anos?
Respondo com outra pergunta, o que é feio: que memória?
A única memória de uma ditadura é aquela que o regime quer divulgar, quer que seja guardada. Todo o resto é sumariamente apagado.
Poderia estar falando de Brasil, dos EUA atuais mas estou falando do Paraguai sob a mão de ferro de um dos piores de todos, o General Alfredo Stroessner que esteve no poder por 35 anos, uma coisa horrorosa, imoral.
Este documentário maravilhoso, Sob As Bandeiras, O Sol, foi o filme enviado pelo Paraguai para tentar uma vaga aos Oscar de Filme Internacional.
O que não aconteceu.
Mas isso não tira o valor do filme, principalmente pelo fato de que a grande maioria das imagens de arquivo usadas neste filme para contar os anos de chumbo de Alfredo Stroessner no poder, foram encontradas fora do Paraguai, em arquivos principalmente franceses.
Assistimos neste filme a versão real daqueles anos em contraponto à “versão oficial”, a da propaganda às transmissões internacionais, uma exposição de como a mídia moldou o poder, controlou a memória de uma sociedade e construiu um legado de medo e silêncio que perdurou pouco.
Uma das histórias mais absurdas que vemos neste filme é a de que Stroessner deu guarida ao anjo da morte nazista Josef Mengele.
Enquanto fugia e se escondia pela Argentina, pelo sul da América do Sul ao final da Segunda Guerra, Mengele encontrou em Stroessner um amigo que lhe deu cidadania paraguaia e de quem virou médico pessoal.
A indignação pública era enorme, vista aqui em vários momentos do filmes, tanto que Mengele teve que fugir do Paraguai e se esconder, até o fim de sua vida no Brasil. Mas esse é outro filme.
Falando nisso, o próprio Stroessner quando deposto por um golpe militar, quem diria, veio viver no Brasil e por aqui morreu e está enterrado, que podre.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

