László Nemes é um cineasta e roteirista húngaro que lançou em 2015 um dos melhores filmes deste século, O Filho de Saul, uma porrada no estômago sobre o horror de um campo de concentração na segunda guerra mundial quando um judeu tenta salvar, ou melhor, preservar o cadáver de um jovem para que ele tenha um sepultamento digno.
O filme é de cortar o coração. E dar orgulho ao mesmo tempo.
Em Órfão, László Nemes continua no horror mas no pós guerra húngaro comunista onde basicamente um garoto corre, anda, se esconde, se vira, tenta sobreviver como pode ao novo regime sem ter um pai presente, com uma mãe com atitudes muito discutíveis que quase acaba com suas vidas e logo depois começa a namorar um homem tão escroto que o diretor László Nemes usou um ator com o pior estereótipo possíve, do grandão, gordão, careca, curvado, que só faltou ter babinha no canto da boca.
Mas que é tão autoritário, violento com a namorada e seu filho Andor, o órfão, que por vezes o filme chega à beira de hiper violência explícita.
O filme não é fácil. É longo, tem um tema de abandono e violência familiar que acaba até superando a metáfora pretendida ao mostrar a Pós-Revolução Húngara de 1957.
Só que mais uma vez é Mátyás Erdély quem entrega o melhor: o diretor de fotografia parceiro de László conta a história toda com uma luz invejável.
Por mais que Órfão se passe nas ruas ainda destruídas de Budapeste, o filme tem a mesma intensidade lúgubre, com uma luz “constrangedora” em seu desenho perfeito, que a gente viu em O Filho de Saul ou em Entardecer.
Mátyás Erdély é na minha opinião um dos mestres modernos da luz do cinema contemporâneo ao lado do polonês Lucasz Zal (de Zona de Interesse) e do brasileiro Adolpho Veloso (de Sonhos de Trem).
É uma pena que este órfão tenha tido tantas críticas negativas pelos motivos mais díspares possíveis porque o filme é lindo.
É uma história de perda de amor e principalmente de uma tentativa de encontrar algum tipo de amor num mundo despedaçado como é a Budapeste de Andor.
NOTA: 🎬🎬🎬🎬

